Cliché

write me a love poem
make my heart skip a beat
give me all the goosebumps and
butterflies in my stomach
give me all the clichés
love me by the book
I want it all
the roses, the chocolate box
your smile right after you say you love me
to the moon and back
when you hold me tight and
promise you’ll never let me go
now and forever
ever and ever
always,
be mine and
I’m yours.

Note to Self

We live in a world where you either have to love yourself or you have to hate yourself. Where there are so many types of perfect that you need to fit in. There are so many loved imperfections you feel the need to achieve it. So much love and so much hate for just bodies… and the mind gets left behind.
I grew up with people pointing out my imperfections all the time, I grew up thinking that my body and my appearance are what defines me. It was a long and hard journey just to accept that they don’t. Somedays I still don’t believe it. It’s a path, a journey, never ending, towards self-improvement in my mind and my soul. Towards accepting the days that I love myself and the days that I hate myself. It’s a lesson that I hope I get to learn completely and then it can lead to a more fulfilling and less anxious state of mind. And hopefully the reflection on the mirror will match my soul.
I know what needs to be done: put myself first, take care of myself, accept myself, accept my feelings and my emotions.
I’m past 30, and still on that journey, I still have a long way to go. But meanwhile I’m here enjoying life, the good and the bad days, enjoying people, enjoying myself.

Rascunhos – II

Nós estivemos lá e eu não te abracei como queria. O medo interrompeu o beijo que se aproximava. Os nossos corações sentiam-se, as batidas intercaladas, apressadas pela adrenalina, descompassadas pelo medo. Medo de dar um passo em falso, sair do conforto, descobrir a paixão…desvendar a dor. O medo que antecipa o sofrimento e adia a felicidade. Que me impede de te amar sem pressas. O medo gasta o fôlego, delapida a vida. Rouba-te pedaços da tua existência que poderás nunca vir a recuperar.

Devia ter feito frente ao medo, mas não o fiz.

Devia ter encarado a paixão, mas não o fiz.

Devia ter tomado as rédeas do desejo, mas não o fiz.

Podia ter-te abraçado como queria, mas cedi ao medo.

Olhei-te nos olhos e tu sorriste ternamente. Acho até que me envolveste com ainda mais força nos teus braços. Beijaste-me na testa e disseste “um dia casamos aqui”.

Nota Mental: sobre a importância de sentir

Foi um daqueles dias… daqueles em que só consigo pensar em chegar a casa. Em que as pessoas me sugaram toda a energia e descarregaram toda a sua ira, angústias e frustrações. Sinto a alma pesada e envolta numa nuvem negra. O trabalho que consome a mente. O espaço confinado que me faz sentir como se faltasse o ar.

Falta-me a luz do sol e a brisa do ar mas está a arder lá fora, o calor de um verão que parece interminável. Só quero ir para casa.

O desconforto nota-se na expressão pesada do meu rosto. Não tenho paciência nem para ouvir estórias corriqueiras quanto mais mexericos mesquinhos. Não tenho energia para tolerar pessoas e pessoinhas.

Só quero ir para casa!

O meu refúgio. Onde posso despir a roupa e atirar fora as máscaras. Posso deixar-me sentir o que preciso de sentir, sem filtros! Posso ouvir a música que mais me apetece em volume máximo ou simplesmente contemplar o silêncio.

Já tiveram um destes dias que assim que entram em casa desatam a chorar? Intensamente, compulsivamente, incontroladamente. Uma inundação de emoções que urge sair! E quando o cansaço toma conta de mim, não há como evitar, tenho de libertar… toda a tensão, negatividade, tristeza, frustração. Emoções sob a forma de lágrimas que me abandonam frenéticamente. Perco as forças e deixo-me cair, na cama, no sofá, no chão e fico com o olhar fixo num ponto invisível, já não sinto nada senão aquela dor ligeira dos olhos inchados e têmporas a latejar. A minha mente esgotada torna-se num vazio, como se tivesse entrado em transe, numa meditação pós-descarga. Aos poucos a ansiedade some-se e dá lugar a uma sensação de alívio, permito-me voltar ao normal, permito-me recuperar. Sem pressas, sem medo do que acabou de acontecer, aos poucos… Acreditando que já passou, que está tudo bem, não faz mal! Concentro-me na respiração e páro de hiperventilar. Reservo-me este momento tão vulnerável e tão crítico.

Levanto-me dou um passo e depois outro, lavo a cara com água que me refresca, saio à varanda e deixo que o ar me acaricie o rosto molhado e atormentado pela tempestade de sensações.

Há dias que é só isto. Aquele momento que é a última gota, a alma contrai-se, é preciso purgar. É preciso permitir-me sentir! “Deitar tudo cá para fora” – uma expressão que não podia estar mais longe da realidade.

Uma carta de amor

Há momentos que sinto que preciso do som das ondas, do cheiro a mar, de sentir a areia molhada e fresca nos pés descalços. Não conseguiria viver longe do mar.

Cresci relativamente perto do mar e agora vivo ainda mais perto dele! É um luxo estar em casa e sentir o cheiro da maresia. É um luxo poder sair e dali a uns metros ter a maravilhosa Ria Formosa a cintilar, apanho um barco e mais à frente estou num sítio paradisíaco, praticamente à porta de casa. Sou uma afortunada!

Apesar de tudo amo viver no meu Algarve e tenho um carinho imenso pela terra que me acolheu. Sou Algarvia antes de ser Portuguesa. Tenho alguma ligação à cultura do país que me viu nascer, muito devido à minha família, que foram portugueses emigrados na Venezuela e aconteceu nascer por lá. Mas o Algarve é onde vivo desde que me conheço como gente e é esta região que faz parte da minha identidade! Nota-se na maneira como falo (algarvio marafade), na maneira como como, na maneira como convivo e nesta ligação tão especial que tenho com o mar.

Das memórias mais queridas que tenho de infância são ligadas ao mar e à praia, praticamente cresci à beira mar!

Sou de uma altura em que os ATLs, amas, campos de férias e coisas do género eram coqueluches para quem podia dispender desse dinheiro, mas no caso da minha mãe, uma mulher divorciada a cuidar de 2 (mais tarde 3) filhos praticamente sozinha não era de todo uma opção.

Ficava na casa da minha avó e com muito gosto. A minha avó era uma senhora muito especial, sempre pronta para aventuras e foi assim até ao fim dos seus dias. Nas férias do verão íamos todos os dias para a praia, penso que só falhava se tivesse mau tempo ou por motivo de força maior. Lá ia eu com a minha avó de cesta na mão, toalha ao ombro e sombrinha em punho. Por vezes ia connosco uma ou outra amiga dela ou minha. Mais tarde a minha prima também começou a acompanhar-nos.

Passavamos o dia inteiro na praia e eu passava o dia inteiro dentro de água. Acho que só saía quando estava em pré-hipotermia, com os lábios roxos e a pele toda enrugada.

A minha avó sempre confiou em mim, eu adorava isso. Eu ia para o mar e não precisava que ela fosse comigo, sentia-me sempre segura porque sabia que ela estaria ali vigilante e sentia-me confiante porque sabia que ela confiava o suficiente em mim para me deixar aventurar sozinha e tomar as minhas próprias decisões. Acho que acabou por ser assim nos restantes aspectos da minha vida. Sempre senti o apoio dela, mesmo que indirecto ou nas entrelinhas, e no meio das inseguranças da vida sabia que no fundo seria capaz de tomar as rédeas das minhas decisões e enfrentar a vida de frente, assim como fazia quando em miúda enfrentava o mar sozinha.

Sem dúvida que as melhores memórias que tenho da minha avó estão associadas ao mar e à praia e sou grata por isso! Aquele caminho entre Loulé e Quarteira, de janelas abertas, no seu Mazda vermelho, com os estofos em pelúcia com padrão de dálmata (incríveis!!) sempre com a rádio a tocar de fundo, a antecipação ia crescendo, quando ali mais ou menos a meio caminho, o cheiro a campo começava gradualmente a dar lugar ao aroma do mar denunciando a chegada, em breve, à praia do Loulé Velho, das mais frequentadas por nós – só de pensar faz o meu coração sorrir mais um pouco. Sou grata por todos esses momentos, que considero serem parte de uma infância de luxo! Luxo no sentido não-material, mas no sentido de ter tido experiências tão felizes e memórias tão boas, que felizmente vieram a contrabalançar com o menos bom e os momentos mais difíceis.

Por isso acredito sim, viver no Algarve é bom, é um luxo pelo qual sou grata e sem o qual não sei se saberei viver. Se um dia sair daqui tenho a certeza que será temporário.

É um luxo sair do trabalho e ainda poder dar um pézinho na areia, é um luxo as petiscadas com amigos à beira mar (ou à beira ria). É um luxo logo aqui ao lado a Serra do Caldeirão ter tantos paraísos escondidos. É um luxo o facto de andar 30 minutos de barco e poder estar numa ilha paradisíaca. E amo isso. Amo poder chegar na praia, seja inverno ou verão, por os pés descalços na areia, respirar fundo, centrar a mente e contemplar o quão incrível é este lugar ao qual tenho o privilégio de chamar de casa!

Rascunhos I

Saudade da paixão que me agarra pela alma. Aquela sensação de estar à beira de um penhasco, o frio na barriga, as borboletas sabes? Quando os olhos se cruzam e tu simplesmente sabes. Aquele momento, mesmo antes dos lábios que se tocam pela primeira vez, em que a respiração praticamente sustém e, ao mesmo tempo, o coração, bate tão forte, parece que vai sair disparado do teu peito. Tudo à tua volta continua a existir mas estás parado no tempo. Olho para os teus lábios humedecidos e eu quero. E eu sei que tu me olhas alma a dentro e roupa para fora, e eu quero. Estamos os dois à beira do precipício da paixão e a decidir, numa fração de segundos, se tudo muda. Entramos em queda livre, juntos, em rota de colisão. O momento que antecede a entrega. Aquele mesmo antes dos lábios se tocarem, em que sinto a tua respiração e a minha. É esse momento. Esse mesmo, o prelúdio do desejo arrebatador.

Foto postal: Alentejo

Quando se fala em Alentejo é esta imagem que vem à cabeça planícies salpicadas por pequenos montes revestidos de um dourado quente, um prato de migas de espargos e bom vinho. Mas se nos dermos ao trabalho de descobrir o Alentejo pode ser muito mais. Os poucos dias que tenho o privilégio de lá passar são preenchidos por muito silêncio, pasmaceira (que não é necessariamente mau) boa comida e algumas sestas extra. Como tenho aversão ao calor, a altura que mais gosto de visitar é na Primavera, os campos estão verdejantes, há sempre uma neblina mágica ao amanhecer e a temperatura convida a explorar. No Verão entro em modo hibernação e só me atrevo a sair no lusco-fusco. Com internet e tv fora da equação, estes dias permitem-me viver o tempo sem distrações e como sabe bem libertar a mente!

Acho que hoje em dia é cada vez mais difícil libertar-mo-nos das distrações fáceis, que nos levam a estar sempre a procurar o que fazer no próximo minuto (e no depois e a seguir) e que inevitavelmente nos leva a ficar ansiosos e a não saber o que fazer connosco mesmos quando estamos sozinhos.

Hoje em dia estar sozinho é motivo para uma ansiedade desmedida, há um medo da solidão que nos é instilado desde cedo. Como se estar sozinho fosse uma doença terminal que só podemos evitar se ocuparmos cada minuto da nossa existência com todo o tipo de actividades, seja trabalho, horas no ginásio, horas de netflix, horas de youtube, horas de mindless browsing até dormir, voltar a acordar e repetir. Procuramos qualquer coisa que prencha os espaços, os vazios e que nos impeça de estar connosco mesmos.

Há tempo para tudo. Viver no presente ou viver intensamente não tem de ser sinónimo de estar sempre all over the place. Há que reservar algum tempo para para parar, para me centrar, para me escutar, para aprender a estar comigo. Não nos podemos evitar a nós mesmos para sempre (ou não devemos) pois chegará um dia que deixamos de reconhecer a nossa própria voz. Deixamos de saber quem somos se não estivermos com outros ou com o cérebro sempre a computar, e aí começamos a sentir o peso da solidão. Sim porque estar sozinho ou sentir-se só são coisas bem diferentes e que se podem tornar sufocantes quando o não saber estar sozinho se conjuga com sentir que ninguém se importa.

Portanto para mim estes momentos de pasmaceira, de fazer nada e escutar os meus pensamentos ajudam-me a centrar e a encontrar. Para que depois tenha a energia e força necessária para poder investir o meu tempo com as outras pessoas, no trabalho e nas distrações fáceis.

E isso é o que mais gosto quando visito o Alentejo. As distrações são forçosamente retiradas da equação. Fico só eu. Ficas só tu. E reaprendemos ou relembramos o privilégio que é sermos nós.