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É triste pensar que deixamos de conhecer aquela pessoa, quando deixamos de saber quem está ali ou se alguma vez esteve.
Quando pomos em causa qualquer palavra, gesto ou acção.
Se pergunto quem és e não sabes responder é ainda mais triste. Sei que não fui só eu quem te perdeu,  aconteceu-te o mesmo a ti própria.
É uma luta tentar encontrar-nos em nós mesmos. Palavras fáceis e frases feitas fazem-no soar demasiado fácil.

E mais complicado ainda é quando o nosso mundo não nos reconhece. Quando aquela pessoa que se sentou ao nosso lado e partilhou aquele lugar toda uma vida se tornou apenas mais alguém. É como se nos tivessem cortado os fios que nos prendem à vida e por último nós próprios cortamos o último fio, aquele que nos prende a nós mesmos.
Quando nos perdemos vagueamos por um lugar que não é vazio, apenas é silencioso.
Um lugar onde vemos a vida passar, o nosso mundo de fios soltos rodar, apenas como espectadores.
Viver torna-se um ficheiro apenas de leitura, não nos é permitido alterar uma passagem, porque não pertencemos ali. Não é por não querer,  nem por não poder… Porque podemos o que queremos.
É simplesmente porque, mais difícil que reatar as amarras que cortamos com o nosso mundo, é realmente encontrar a coragem para o fazermos.

E então aí tudo se torna um desconhecido familiar, que se senta ao nosso lado, segue connosco no mesmo autocarro mas com um destino diferente.
Os olhares que se cruzam são constrangedores e fazem-nos lembrar que nem sempre foi assim, uma sensação de tão boa que é faz doer.
Cortar os fios significa tornarmo-nos sonâmbulos, dormentes à dor. E por isso saímos do autocarro, evitamos o desconhecido familiar. Escolhemos desaparecer cada vez mais para dentro de nós.
E um dia quando se ouvir a pergunta “onde está A Pessoa?” do familiar desconhecido, todos têm a força mas só alguns têm a coragem de usa-la para dar um nó nas pontas soltas e responder finalmente “Eu estou aqui! E tu estás comigo?“.

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

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