O Conto – II. A Entrega


Foi naquele beijo que ele soube que a sua vida mudara para sempre.

O beijo foi a sua confissão sem palavras, beijou-a como se procurasse a absolvição pelos momentos em que a cobiçou. Ela recebeu a sua confissão e entregou-lhe um mundo de desejos insólitos onde já o despira e ele já a fodera furiosamente.

O coração dele colidia com o peito dela, atemorizado, consternado e apressado pela necessidade. E sustiveram a respiração numa tentativa de suspender a vida naquele beijo. Ele enfiou-lhe a mão pelo decote dela violando-lhe a carne, ela reagindo ao gesto desautorizado dele coloca uma perna em torno da cintura dele. Fá-lo sentir, no caralho palpitante dentro das calças, o calor da sua cona encharcada.

E foi entre o tilintar da fivela do cinto dele, os ruídos de fundo de uma festa distante e o frio negro de uma noite sem lua que ele a penetrou com ímpeto estremecendo nas suas profundezas.

E Daniela sentiu a intensidade do prazer enquanto ele navegava e brincava no seu corpo como se explorasse o infinito, como se cada milímetro da sua pele fosse o último segundo da sua vida, como se cada ponto da sua sexualidade fosse um livro que se folheia com intensidade. E é aí que ela sente a claustrofobia das amarras que inevitavelmente se constroem e da impossibilidade de evitar os seus terríveis nós, mas está decidida, quando houver ruptura partirá.

Os seus ritmos ficam leves, calmos. Numa viagem ao extremo prazer perdem-se um no outro, e Miguel revê-se nos olhos de Daniela e através dela sorri para si mesmo. E momentos antes de se vir ele beija-a numa paixão urgente e penetra-a fundo, ela solta um gemido alto e enrola-se no seu corpo largo, refugia-se na sua pele enquanto uma onda de êxtase sobe furtivamente o seu corpo. Ele agita-se dentro dela e com os dedos emaranhados no seu vestido aperta-a e ela ergue os braços para o suster, ele vem-se com a iminência de um terramoto e o mais suave som escapa-se-lhe dos lábios.

Ela ergue o queixo e observa-o e a pouco e pouco sente-o a ceder dentro de si e isso faz-lhe cócegas e ri-se. Ele acaba por rir também e separam-se um do outro, enxugando os olhos e ajeitando as roupas. Ouvem a propagação distante de risos e ambos olham fixamente o céu negro, não precisam de palavras pois tudo já foi dito.

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

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