«Do You Know It’s Christmas?»


Nunca gostei intimamente da época Natalícia.  Sempre foi uma altura do ano que me assustou verdadeiramente. Dezembro era sempre o mês que queria que passasse o mais rápido possível. Dezembro era o culminar de um ano que finalizava comigo de mãos vazias e coração oco. Sem nada a mostrar. Sem nada que fizesse valer. O Natal era um show-off de fantasias que nunca se viriam a concretizar, de falhanços, de silêncio extremo no meu mais intimo. E por isso sempre o desprezei, o Natal, a época em que todos podem ser/mostrar-se/fazer-se felizes.

Não.

Passo os dias a ouvir as músicas de Natal que me consumiam como um buraco negro. Agora não. Dou por mim a cantá-las, com um sorriso de quem faz planos. Já não sinto as mãos vazias. Tenho algo a mostrar: que me libertei de um peso que me arrastava para o fundo de um oceano obscuro e demasiado pesado. Pelo menos um pouco. Permito-me mostrar um sorriso, um esboço de felicidade. E aproveito agora, pelo menos por agora, o Natal ajuda-me a ocupar o pensamento a criar, planear e a abstrair-me do tempo que teima em fugir. Aproxima-se um recomeço onde me posso comprometer a certas coisas – principalmente a esquecer-te. Onde me comprometo a tomar controlo de mim e não deixar que o silêncio roube mais pedaços de mim. Permito recompor-me.

Não, não é o Natal. É chegar ao fim de qualquer coisa e poder ter um vislumbre do inicio de outra. É o terminar e o recomeçar.

 

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

2 opiniões sobre “«Do You Know It’s Christmas?»”

  1. Sei muito bem o que isso é. Eu já consegui criar sons no meio do silêncio e os sons já me soam bem o que é maravilhoso. ^^ O recomeçar é complicado mas nunca impossivel, é só querer recomeçar e dar tempo ao tempo. =)

  2. 🙂 Smile, diria Charlie Chaplin… No Natal, é o amor que temos dentro de nós que se deve libertar e chegar a quem se encontra à nossa volta, a quem se cruza conosco…

    O fim de algo, implica sempre o começo de outra jornada, ou melhor, deveria implicar sempre. No entanto, não deixar histórias inacabadas é importante. Não é fácil colocar um ponto final em alguns pedaços da nossa vida, mas preencher o vazio e a imensidão da escuridão com a luz do sorriso ultrapassa qualquer muro…

    Feliz Natal! 🙂

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