Folha em Branco


A frustração que me pesa os ombros por não conseguir dizer em palavras aquilo que não sinto. Pois nada sinto. A não ser que não sentir seja considerada uma nova forma de sentir. A não ser que a não-dor e a não-mágoa sejam novas formas de sentir aquilo que não sinto.

A inexistência de sangue a pulsar dentro de mim faz com que sirva palavras frias à mesa e me arraste sonâmbula pela sala. Esta não-vida de não-sentir, de não-chorar, de não-escrever que me deixa em branco e não-editável.

Vivo uma não-vida que me faz não-sentir as despedidas, as faltas, as ausências, os erros. Talvez seja bom não sentir a dureza das palavras. Ou talvez tenha sido a dureza das palavras que me rasgou por dentro e me fez não sentir.

A dureza dos gestos.

As feridas que rasgam nervos, partem, quebram e me empurram para um coma de emoções. Por ter havido uma não-cura.

Por ter enveredado por uma não-saída. A não-vida. A de não-sentir para não sofrer.

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

2 opiniões sobre “Folha em Branco”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s