A surdina dos dias intermináveis


Sem ti o meu coração esvazia. Apenas se escuta um murmúrio. As horas passam lentas e vagarosas e a tristeza assombra-me, como a escuridão numa casa vazia. Eu já nada sinto e sem ti já nada tenho.

E imagino dias assim a desdobrarem-se até ao infinito. Talvez lá mais à frente a tristeza já esteja também distante. Mas isso é depois, não é agora. Agora estou endurecida pela mágoa, pela quietude inquieta da distancia, o medo que paralisa, o silêncio que fere, as palavras que rasgam, as lágrimas que caem, o vazio que sufoca, a ilusão que medra e molesta. A ilusão não existe, mas a sua presença é tão real, demasiado até, porque corta e dilacera e faz questão de rir na minha cara, me mostra o quão surreal é este querer.

E eu páro, deixo de sentir, deixo de querer, deixo de ser, torno-me passageira no comboio da indiferença que me leva a alta velocidade para o nada. Cada vez mais sei que o nada é o destino final.

O nada dói. O nunca dói.

Amar-te arrasta-me para as profundezas de um impossível.

 

 

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

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