Identidade em Construção


Pôr do Sol na Ilha da Armona
Pôr-do-Sol na Ilha da Armona

À medida que me vou aproximando dos 30 (anos de vida) começo a perceber e a aperceber-me de certas coisas, pensamentos e respostas a questões que sempre tinha mas que nunca as conseguia desvendar.
Saindo dos vinte começo a ter a verdadeira noção de que a vida tem inicio, meio e fim.

Até aos 25 ou 26 parecia que era imparável e o futuro sempre me parecia tão longínquo. O passado demasiado curto para ter de olhar para trás. E vivia sempre num infinito presente. Não é mau, mas não olhar para trás significa não reconhecer aquilo que se fez e que foi feito e as lições aprendidas. Não olhar para o futuro significa não ambicionar, não querer mais, não lutar pelo que se deseja, não crescer.
Viver no presente não é mau até é uma boa filosofia. Não deixar nada passar impunemente, viver o momento, aproveitar o que nos é proporcionado. Mas viver demasiado no presente num constante estado de “venha o que vier” também não é auspicioso.

Ao chegar perto dos trinta sinto que já tenho alguma bagagem que me acompanha. E ao olhar para trás percebo como mudei e tenho completa noção que muitas perguntas e questões continuam sem ser respondidas. Mas também sei que o futuro trará essas respostas. Quando tiver maturidade para as compreender, interiorizar e valorizar. Quando crescer mais um pouquinho emocionalmente.

Cada bagagem que se junta ao passado corresponde a uma questão respondida no presente e a uma nova busca para o futuro.

Uma das coisas com que me deparei recentemente foi em relação ao sentimento de pertença, à identidade. Não sei como lhe chamar, sou leiga nesse departamento. Não me refiro a esta identidade com a minha essência.
Sempre tive a sensação de pertencer a todo o lado e não pertencer a lado nenhum. Nasci na Venezuela, um país que pouco ou nada conheço, ao qual nunca voltei, cujas tradições, cultura ou história não me foram transmitidas pelos meus pais ou a minha família.  Cresci em Portugal, os meus pais são Portugueses e eu considero-me Portuguesa. Hoje.
Porque antes também não tinha esta sensação de pertença, este gosto pelo meu país. Sentia-me deslocada, talvez por nunca ter a experiencia do passar a tradição, os ensinamentos da família. O meu núcleo familiar sempre foi muito disperso e daí eu sempre me sentir assim: dispersa. Sem identidade.

Mas hoje sinto-me Portuguesa.
E mais do que ser Portuguesa sou Algarvia. Cresci no Algarve. Vivi o Algarve. E ainda vivo.
Ainda não viajei muito, mas o pouco que o fiz fez-me apreciar cada vez mais o país que me acolheu e me deu a minha nacionalidade.
E hoje olho para trás e sinto que já não existe aquela sensação de dispersão, pelo menos no departamento geográfico. Tenho a cultura algarvia e algumas das suas tradições absolutamente entranhadas naquilo que sou EU.
Fazem parte da minha identidade. Aquilo com que me identifico.
E apesar de haver algumas peças perdidas neste puzzle difícil de montar, acredito que com o tempo, as experiências, a vida, vou construindo a minha identidade. E aos poucos vou chegando mais perto de estar em total consonância e compreensão do que é o meu EU.
E cada vez que me perguntarem que és tu vou sabendo mais e mais identificar quem sou eu.

A vida, as pessoas que fazem parte da minha vida, vão espelhando quem sou eu. E eu aos poucos e poucos vou me reconhecendo cada vez mais e cada vez melhor. E à medida que vou respondendo a algumas das minhas questões internas vou abrindo espaço para mais. Para nunca estagnar. Para sempre crescer. Para sempre juntar mais e mais peças ao puzzle da minha identidade.

E há 1 ou 2 anos atrás não seria capaz de compreender isto desta maneira.
Crescer e aperceber-me de deste crescimento é simplesmente fantástico.
Faz-me perceber que não estou assim tão estagnada quanto por vezes me sinto.

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

Um pensamento em “Identidade em Construção”

  1. O ser humano, pela sua condição, nunca está parado ou estagnado. Por muito que penses que “paraste na vida”, que precisas de mudar, é só porque um ciclo terminou e estás pronta para começar uma nova fase da vida.
    O que a idade nos traz, e é precioso (embora nem toda a gente o aprecie como tal), é o crescimento, enquanto ser emocional, o vivenciar (de todo e cada um dos dias) que passam como experiências únicas que são.
    Viver, crescer (emocional e espiritualmente) e aprender é o que faz de nós humanos. A foram como fazemos cada uma desta coisas é o que nos define como seres humanos únicos.
    Posso estar para aqui com filosofias o resto da noite, o que é certo é que, com 20 anos não fazia de onde iria estar aos 25 e muito menos aos 30. E aos 33 não faço ideia onde vou estar aos 40.
    Só posso ter a certeza da pessoa que fui, sou e vou ser.
    Mais certo ainda é que, aos 33 anos, aprendi mais, como pessoa, que nos 32 anos que os antecederam. Cresci e mudei. Muito.
    Hoje, olho para trás e rio-me da minha ingenuidade em alguma situações.
    Finalmente fizeram-me ver que sou um boa pessoa. Convenceram-me mesmo disso!
    E, hoje, como diriam os ingleses, “I know what makes me tick”!
    Estamos todos nesse caminho. E todos chegamos lá. Aos 27, 33, 50 ou 85 anos. Todos percebemos.

    PS: Desculpa a seca 🙂

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