Awakening


Estamos na era da Internet, da informação, da desinformação. na era em que as noticias, as opiniões, os acontecimentos (importantes ou não) viajam globalmente (quase!) à velocidade da luz (quase…).

Á distancia de um clique, na palma da mão a informação (e o seu arqui-inimigo) nunca estiveram tão perto do utilizador. A moldar mentes (literalmente), a criar opiniões a construir um espírito crítico ou uma mentalidade ovelha.

Nesta era dou comigo a questionar-me que “antes não era assim”. E não era. Cresci e construí uma percepção muito diferente do mundo com a que me deparo agora. A informação não estava tão difundida, havia apenas aquela versão dos factos, a que nos era apresentada pelos canais limitados dos média.

Cresci acreditando numa utopia em que a justiça seria imparcial, que todos teríamos uma oportunidade de vingar neste planeta, num senso de segurança e protecção conferidas por um estado social e um governo justo que poria o nosso bem estar, saúde e prosperidade acima de outros interesses.

Não podia estar mais errada.

Aos poucos fui desconstruindo esta imagem e anexando uma realidade bem diferente. Aos poucos fui relegando esse pensamento ao campo do wishfull thinking e apesar de não ter deixado de acreditar que poderia ser possível, acreditar e ter esperança, a realidade é bem mais negra e bem mais esmagadora e penso que, ou melhor, tenho a certeza que, em boa consciência, não poderia continuar ignorá-la. Porque ignorar é ser cúmplice. E este texto pode até parecer negativo e pessimista, e se calhar até é, mas eu considero-o mais realista. No entanto, o que eu nunca abdicarei (bem, eu espero que não, talvez melhor dito seja:) o que eu irei sempre lutar para nunca abdicar é da esperança de que essa imagem não irá morrer e que poderá um dia ser uma realidade. Porque quem deixa de acreditar pára de lutar. E quem é que quer abdicar de um futuro assim? Eu não.

Acho que existem várias níveis “mentais” ou espirituais na vida cujo atingimento depende essencialmente da idade/experiência. E não falo aqui só da idade biológica, orgânica ou física. Falo da idade que as peripécias da vida nos confere e de como a nossa idade biológica influencia aspectos dessa idade mental.

Quando somos jovens o futuro é tão longínquo e o tempo passa muito mais devagar, não podemos nem conseguimos olhar “mais à frente”. O que nos compele é o aqui e agora, o nosso Ego comanda demais estamos então demasiado envolvidos em nós próprios.

Mas com o tempo e a experiência acontece um awakening. Aquele momento em que deixamos de olhar para baixo e passamos a olhar em volta. E maior do que isso – começamos a olhar para dentro – começamos a equacionar-nos numa sociedade em que as caras que a compõem já não são assim tão desconhecidas e desfocadas. Começamos a compreender verdadeiramente o fenómeno causa-efeito e começamos a observar o impacto que nós como pessoas, seres humanos, temos no que nos rodeia. E só conseguimos atingir este sentimento de “fazer parte” quando nos reconhecemos como um individuo. E acho que é nesse momento crucial que começamos a ver uma realidade, a prestar mais atenção, a solidificar, ganhar ou alterar as nossas crenças, princípios, valores, atitudes, comportamentos, pensamentos. Acho que é neste ponto de viragem que começamos a SER a personalidade que fomos adquirindo. E só aí a expressar opiniões, a agir, a criticar. E este ponto de viragem pode ser DEVASTADOR.

Obviamente que isto acontece sempre de maneira diferente, com amplitudes diferentes e significados diferentes de pessoa para pessoa. Cada pessoa tem a sua individualidade, os seus filtros, a sua percepção e por isso a sua própria realidade.

Portanto eu apenas posso falar da minha percepção, da minha realidade. Tento construir a minha percepção baseando-me em mais informação, tento perceber sempre o outro lado. E olhem que é muito difícil, esta estória de discernir o que é informação e desinformação. É muito difícil tentar activamente não deixar que os meus filtros pessoais assumam “o poder” ao tentar construir uma opinião. É difícil não me sentir assoberbada. É difícil não pintar um quadro tão negro deste nosso mundo e deixar de acreditar que pode não haver saída.

Nesta era que sou bombardeada com informação, anti-informação, desinformação e pura subjectividade é dificil não me deixar levar pelo rebanho, pela corrente, pelo pensamento geral. Descobri que construir uma opinião pessoal (seja sobre que assunto for) é bastante complicado. E acaba por tornar-se um luta interior constante. Portanto compreendo perfeitamente aqueles que preferem desligar, sou capaz de me colocar nos seus “sapatos” e entender o seu ponto de vista. Aqueles que dizem “eu não ligo a isso” e continuam na sua vida. É uma batalha desgastante e é a escolha de cada um a maneira como decide viver e pensar a sua realidade – Fernando Pessoa retratava isso como ser feliz na inconsciência.

No entanto eu prefiro ser feliz num esforço consciente. E aos poucos vou caminhando nesse sentido.

 

 

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

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