Nota Mental: sobre a importância de sentir


Foi um daqueles dias… daqueles em que só consigo pensar em chegar a casa. Em que as pessoas me sugaram toda a energia e descarregaram toda a sua ira, angústias e frustrações. Sinto a alma pesada e envolta numa nuvem negra. O trabalho que consome a mente. O espaço confinado que me faz sentir como se faltasse o ar.

Falta-me a luz do sol e a brisa do ar mas está a arder lá fora, o calor de um verão que parece interminável. Só quero ir para casa.

O desconforto nota-se na expressão pesada do meu rosto. Não tenho paciência nem para ouvir estórias corriqueiras quanto mais mexericos mesquinhos. Não tenho energia para tolerar pessoas e pessoinhas.

Só quero ir para casa!

O meu refúgio. Onde posso despir a roupa e atirar fora as máscaras. Posso deixar-me sentir o que preciso de sentir, sem filtros! Posso ouvir a música que mais me apetece em volume máximo ou simplesmente contemplar o silêncio.

Já tiveram um destes dias que assim que entram em casa desatam a chorar? Intensamente, compulsivamente, incontroladamente. Uma inundação de emoções que urge sair! E quando o cansaço toma conta de mim, não há como evitar, tenho de libertar… toda a tensão, negatividade, tristeza, frustração. Emoções sob a forma de lágrimas que me abandonam frenéticamente. Perco as forças e deixo-me cair, na cama, no sofá, no chão e fico com o olhar fixo num ponto invisível, já não sinto nada senão aquela dor ligeira dos olhos inchados e têmporas a latejar. A minha mente esgotada torna-se num vazio, como se tivesse entrado em transe, numa meditação pós-descarga. Aos poucos a ansiedade some-se e dá lugar a uma sensação de alívio, permito-me voltar ao normal, permito-me recuperar. Sem pressas, sem medo do que acabou de acontecer, aos poucos… Acreditando que já passou, que está tudo bem, não faz mal! Concentro-me na respiração e páro de hiperventilar. Reservo-me este momento tão vulnerável e tão crítico.

Levanto-me dou um passo e depois outro, lavo a cara com água que me refresca, saio à varanda e deixo que o ar me acaricie o rosto molhado e atormentado pela tempestade de sensações.

Há dias que é só isto. Aquele momento que é a última gota, a alma contrai-se, é preciso purgar. É preciso permitir-me sentir! “Deitar tudo cá para fora” – uma expressão que não podia estar mais longe da realidade.

Autor: Erika

Quem escreve: De nome: Erika. Tenta escrever o que mais lhe apetece. Tenta ser simpática. Quando não reclama, sugere. Sorri muito. Atribui significados importantes à musica, ás cores, cheiros, sabores, texturas. Teimosa, orgulhosa, ambiciosa q.b., não cria espectativas, cria objectivos. Gosta de dormir, é preguiçosa mas detesta preguiçar. Perde-se na internet. Perde-se naquele momento perfeito. Perde-se na fotografia. Perde-se nas pessoas. Perde-se na paixão. É apenas mais alguém que escreve.

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