Fotografia do Porto


O Porto é uma menina a falar-me de outra idade. Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou um monstro que dói. Mas os meus dedos são capazes de tocar-lhe os ombros, afastar-lhe os cabelos. Entre mim e o Porto, existem milímetros que são muito maiores do que quilómetros, mesmo quando os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto, deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.  

José Luís Peixoto in Gaveta de Papéis

ferida rasgada por Sofia Vieira

“Era o único homem que a fazia chorar. Tudo nele a comovia, a desconcertava, a mobilizava para o afecto exagerado, a paixão assolapada, o beco sem saída. Havia ali qualquer coisa que não a largava e que a exasperava, como uma criança birrenta que insistisse em ir no sentido contrário. Levava-a ao nó na garganta, às vezes mesmo às lágrimas, com apenas meia dúzia de sílabas, tal o desespero que ela continuava a sentir no seu discurso aparentemente articulado. Não era de todo o homem que mais amara, aliás, não sabia se o amara, sequer, mas algo nele a emocionava e lhe doía, como uma ferida rasgada, uma aflição na noite, embora não conseguisse identificar exactamente o quê: se o desencanto, que ele insistia em alimentar de uma esperança irracional; se o carinho que derramava sobre ela quando estavam em sintonia; se a loucura que vadiava por ele e que abafava desajeitadamente, convicto de que  só a normalidade lhe permitiria a decência perante os seus pares.”

Controversa Maresia

Se tivesse de o dizer, seria assim.

Gestão de Reclamações – Técnica Erica

reclamaçãoAo consultar as Estatisticas do meu blog verifiquei que um dos termos colocados nos motores de busca que gerou entradas no meu blog foi: “Gestão de Reclamações – Técnica Erica”. Ora aqui a Erika, curiosa como só eu, foi pesquisar mais sobre o assunto. E afinal é mesmo a sério. Existe uma técnica d’ Erica que ajuda a gerir e conduzir reclamações mesmo aquelas tramadas.

Sendo este o Livro de Reclamações achei que seria apropriado colocar aqui os resultados da minha pesquisa muito (pouco) aprofundada:

  • Gestão de comportamentos agressivos

Para gerir a agressividade do cliente, utilize a técnica ERICA:
Escute o que o interlocutor lhe diz;
Recapitule o assunto e mostre que compreendeu;
Interrogue com perguntas abertas e fechadas, com o objectivo de obter o máximo de
informação;
Combine a forma como o assunto vai ser tratado;
Agradeça ao cliente o facto de lhe ter colocado a questão.

Resumindo:
‹ Não personalize as situações (lembre-se que não o está a atacar a si);
‹ Mantenha a calma e escute o cliente;
‹ Concentre-se na situação e não na pessoa;
‹ Não o contradiga;
‹ Não discuta;
‹ Não lhe diga que é grosseiro ou mal-educado;
‹ Interprete correctamente o comportamento;
‹ Encaminhe o utente para a melhor solução;
Sinta-se bem por acalmar um utente agressivo

Caso a técnica Erica não funcione, aqui a Erika sugere a técnica Wilson. E como complemento um olhar ameaçador. Boas Reclamações!

“Hoje não dá.”

Até que ponto consigo ouvir esta frase vezes e vezes sem conta sem desistir? Quando o esforço é pouco ou nenhum e as desculpas são apenas isso não justificando o “Hoje não dá”, até quando vou continuar a perguntar:  “E Hoje?” na esperança de ouvir uma resposta diferente?

Até quando vou conseguir acreditar que as pessoas que dizem que se importam, que eu acho que importam, realmente se importam? É que hoje, e em muitos outros dias, realmente não dá!

“Temos os amigos que podemos”

As nossas redes sociais são-nos essenciais. O mundo perde o encanto sem amigos que partilhem a nossa vida, que nos ajudem a resolver problemas ou a tomar decisões.

Mas ao contrário do que se pode pensar, a nossa escolha de amigos não depende totalmente de nós – e mais, trocamos ciclicamente uma parte substancial desses amigos por outros. Gerald Mollenhorst, da Organização da Investigação Científica da Holanda, realizou um estudo junto de um milhar de pessoas, com 18 a 65 anos de idade, que foram inquiridas duas vezes, com sete anos de intervalo.

Duas conclusões. Por um lado, os amigos que temos também dependem das nossas circunstâncias, das nossas oportunidades de conhecer pessoas – e não só da nossa vontade. Temos os amigos que podemos, em suma.

Por outro, após sete anos, embora o número total de amigos continue mais ou menos igual, apenas 30 por cento dos nossos amigos iniciais ainda merecem essa designação. E 52 por cento já nem sequer gravitam na nossa rede social. O estudo não equaciona, porém, a crescente tendência a travarmos e-amizades nas redes sociais da Web. Estaremos a transformar-nos numa sociedade de amigos virtuais?

Tirado de “No futuro, vamos ficar sem amigos reais?

em Publico.pt, Ana Gerschenfeld, 30-05-2009

“Discutir é bom e eu gosto (ás vezes)”

Melhor dito, não poderia ter sido. Tudo aquilo que pensava e não conseguia palavras para me fazer entender mas que ela conseguiu e muito bem!

« (…) A verdade é que as mulheres precisam tanto de uma boa discussão como de comprar um par de sapatos por mês. Desculpem lá, mas são coisas que fazem falta. E não há nada pior que uma pessoa chegar a casa com vontade de discutir e levar com um homem que só diz “sim, querida, tens razão, querida”, ou, pior, “quando estiveres mais calma falamos”. Nós queremos falar é naquela altura, quando estivermos calmas já não tem graça nenhuma, não é uma discussão, é uma conversinha! Queremos despejar a nossa fúria! Queremos que ele assuma as nossas dores e fique tão enervado como nós estamos! Quando uma mulher quer discutir, é deixá-la! Tentar refrear os ânimos é ainda pior. E, para além disso, um homem que não sabe mandar um par de berros na devida altura não nos serve para coisa nenhuma. A primeira vez que o meu homem elevou a voz assim à séria, eu achei até muito sexy e, na minha cabeça, dei a discussão por terminada (só na minha cabeça, porque na prática tinha que continuar até ele me dar razão). A sério, se as mulheres quisessem um pacifista, andavam com monges tibetanos. E, claro, não nos podemos esquecer que muitas discussões acabam em make up sex por isso, no final, saímos todos a ganhar, não é verdade? (…) »

Gostei tanto que tive de publicar.

Créditos:

Blog “A Pipoca mais doce”
Autora: A Pipoca mais Doce
Link: http://apipocamaisdoce.blogspot.com
Post: Janeiro 29, 2009. “Discutir é bom e eu gosto (ás vezes)”