Porquê escrever? 


“A escrita é um encontro entre duas pessoas através das palavras.”

Escrevo para estar contigo, escrevo para estar comigo. Para dizer tudo o que não pude falar e mostrar tudo o que não pude sentir. Para transformar as memórias em saudade, em paixão, em mágoa. Para nunca esquecer e para sempre poder recordar.
Escrevo para exorcizar. Para expelir os demónios e lavar a alma. Para não chorar. Para sorrir cada vez que releio cada memória partilhada.
Escrevo para conversar contigo. Porque a minha alma não pode ficar calada. Porque é assim que mantenho a chama acesa, a sensação de que estou aqui, estou presente, de que sou capaz de deixar a minha marca. Por mais pequena que pareça, mas afinal o que somos nós senão partículas espalhadas pelo universo? 

O que é este blog senão apenas palavras deitadas no vazio, que vagueiam entre o tempo e o espaço, que ecoam em ti, que vibram em mim?
Escrevo porque posso, porque preciso, porque quero, porque é urgente. Porque é para mim e é para todos e não é para ninguém, nem para ti.
Escrevo para não ter de o dizer.

O Conto IV – “Tudo e Nada”

Ela tinha um vestido de Verão amarelo, que se desabotoava pela frente. Era leve, alegre e cheirava baunilha. Quando entrou no carro estava ansiosa, não sabia o que dizer, beijou-o com saudade mas reticente. A viagem foi silenciosa, linearmente dolorosa, o tempo tem a capacidade de mover montanhas de insegurança. Quando entraram no quarto do hotel sentiu-se constrangida, ali estava ela com aquele homem com quem tinha partilhado as sombras da sua alma e ao mesmo tempo desconhecia. E sentia um constrangimento ensurdecedor. Parecia que tudo o que haviam sentido e partilhado começava a cair num nada. Um nada que lhe sugava toda a vida e a consumia de medo. Medo desse vazio que se expunha entre eles cada vez que partilhavam a paixão que sentiam. Porque ela sentia que havia tudo entre eles e sentia que nada podia fazer quanto ao futuro incerto do nada. Ela sabia que era aquilo, que era ele, mas não sabia como.
É como se resultasse num universo paralelo, algures numa outra realidade eles ficariam juntos ela mudaria a sua vida por ele e ele faria parte dela. Mas neste universo, nesta realidade ela apenas conseguia ver nada. E isso assustava-a. Um dia até tinha tido coragem de o questionar cerrando os olhos antes de obter a resposta, mas ele nunca soube dizer ou ela nunca soube ouvir. Provavelmente ele não compreendia a insegurança dela ou talvez nem percebesse que existisse. Talvez para ele aquela realidade era o universo paralelo que ela ansiava, em que ele mudaria a sua vida por ela e ficariam juntos.
Para ele seria tão óbvio que ficariam juntos que não havia mais nada a dizer.

Enquanto olhava para ele a pousar as malas mil coisas lhe passaram pela cabeça. Talvez seria melhor parar e tentar perceber o que seria dali em diante. Ou talvez não. Talvez seria melhor aproveitar os momentos efémeros que por sorte conseguiam ter juntos. Talvez fosse melhor não saber.
Toda aquela sala cheirava a despedida e ela quase que se sentia desesperada e ao mesmo tempo aliviada. E quando ele a beijou fervorosamente ela conformou-se e disse a si mesma que uma paixão tão perigosa não obedeceria a leis ou regras. Simplesmente existia enquanto podia e depois desaparecia para sempre deixando para trás as suas vítimas.
Ele beijava-a no pescoço enquanto sentia o seu aroma a baunilha, encostou-a contra a parede e disse-lhe ao ouvido: “não aguentava mais estar longe de ti”. Ela estremeceu e sentiu-se quase a entrar em transe. Aquela paixão era avassaladora, o corpo dela entrava em choque quando estava junto a ele. Esqueceu naquele momento toda a razão e raciocínio, seguiu apenas o seu instinto carnal. Ele desabotoava-lhe o vestido botão a botão. Ela quase sentia dor de tanto desejo.
Quando chegou às coxas beijava-a ternamente, cada vez mais perto da sua cueca de renda. Ela ficava com a respiração pesada e ritmada como uma leoa prestes a atacar. Puxou-lhe os cabelos e fê-lo subir até o olhar nos olhos, tomou controlo e ele deu-lhe o controlo.
Levou-o até ao sofá onde o despiu furiosamente, transformou todas as suas dúvidas e medos em desejo carnal. Fez-lhe sexo oral com intensidade tamanha que ele mal se conseguia controlar. Ela sentia o seu pénis a contrair-se na sua boca e dar-lhe esse prazer fazia-a sentir muito prazer. Ele geme a palavra não e repete cada vez mais alto. Agarra nela e reclama o controlo de volta. Ela deixa-se levar por ele e senta-se em cima dele. O seu pénis invade-a de prazer e ela já o ansiava dentro de si desde que chegou perto dele. É esta química incontrolável que têm que ela não consegue explicar ou perceber.
É tão bom que é tão mau.
Atingem o orgasmo juntos, ela morde o pescoço dele e ele empurra-a. Sorriem um para o outro e olham-se profundamente enquanto os seus sexos palpitam de êxtase.
Ele abraça-a e passa a mão pelos seus cabelos, ao ouvido diz palavras de saudade e de amor. Naquele momento ela sente-se transportada para aquele universo paralelo onde nada é possível.
Respira fundo e saboreia.

O nada transforma-se temporariamente em tudo quando está junto a ele.

O Conto – III. “As tuas mãos…” – disse ela. “O que têm?” – perguntou ele.

Ela apaixonou-se primeiro pelas mãos dele. Eram masculinas sem serem demasiado brutas. Eram macias e não demasiado grandes. Ela adorava pegar na mão dele contra a sua e simplesmente ficar a olhar. Ele olhava sempre para a expressão dela, intrigado. Por vezes, pegava na mão dele e colocava-a nas suas mamas, ou entre as suas pernas, queria sentir o contraste da pele fria das mãos dele contra o ardor do seu corpo. Ele apertava-a com força quando ela fazia isso quase no limite da dor para ela, quase no limite do prazer para ele.
Ela adorava as suas mãos, achava-as a parte mais bonita do corpo dele e adorava senti-las no seu corpo frágil. As suas mãos faziam-na sentir segura, se ela caísse sentia que ele seria capaz de segura-la nas suas mãos. Firmemente. Docemente.
E quando acabavam de fazer sexo ela agarrava na mão dele, apertando, libertando os últimos sopros de energia do seu corpo naquela união de mãos. Assim adormecia, sempre mão com mão, corpo com corpo.

O Conto – II. A Entrega

Foi naquele beijo que ele soube que a sua vida mudara para sempre.

O beijo foi a sua confissão sem palavras, beijou-a como se procurasse a absolvição pelos momentos em que a cobiçou. Ela recebeu a sua confissão e entregou-lhe um mundo de desejos insólitos onde já o despira e ele já a fodera furiosamente.

O coração dele colidia com o peito dela, atemorizado, consternado e apressado pela necessidade. E sustiveram a respiração numa tentativa de suspender a vida naquele beijo. Ele enfiou-lhe a mão pelo decote dela violando-lhe a carne, ela reagindo ao gesto desautorizado dele coloca uma perna em torno da cintura dele. Fá-lo sentir, no caralho palpitante dentro das calças, o calor da sua cona encharcada.

E foi entre o tilintar da fivela do cinto dele, os ruídos de fundo de uma festa distante e o frio negro de uma noite sem lua que ele a penetrou com ímpeto estremecendo nas suas profundezas.

E Daniela sentiu a intensidade do prazer enquanto ele navegava e brincava no seu corpo como se explorasse o infinito, como se cada milímetro da sua pele fosse o último segundo da sua vida, como se cada ponto da sua sexualidade fosse um livro que se folheia com intensidade. E é aí que ela sente a claustrofobia das amarras que inevitavelmente se constroem e da impossibilidade de evitar os seus terríveis nós, mas está decidida, quando houver ruptura partirá.

Os seus ritmos ficam leves, calmos. Numa viagem ao extremo prazer perdem-se um no outro, e Miguel revê-se nos olhos de Daniela e através dela sorri para si mesmo. E momentos antes de se vir ele beija-a numa paixão urgente e penetra-a fundo, ela solta um gemido alto e enrola-se no seu corpo largo, refugia-se na sua pele enquanto uma onda de êxtase sobe furtivamente o seu corpo. Ele agita-se dentro dela e com os dedos emaranhados no seu vestido aperta-a e ela ergue os braços para o suster, ele vem-se com a iminência de um terramoto e o mais suave som escapa-se-lhe dos lábios.

Ela ergue o queixo e observa-o e a pouco e pouco sente-o a ceder dentro de si e isso faz-lhe cócegas e ri-se. Ele acaba por rir também e separam-se um do outro, enxugando os olhos e ajeitando as roupas. Ouvem a propagação distante de risos e ambos olham fixamente o céu negro, não precisam de palavras pois tudo já foi dito.

O Conto – I. Eles darão sempre uma história e a história será sempre acerca dele.

Quando ela o viu nada denunciou a paixão que se aproximava. Foi um encontro frio, distante e resistente. Ela altiva e arrogante ele sério e profissional. À primeira vista ela achara-o sensual mas à primeira palavra as suas expressões gélidas criaram um muro entre eles. Não existia nada para além de um fosso entre eles cuja única ponte era a profissional. Colegas e co-criadores de um importante projecto cujo planeado sucesso os iria levar juntos mais além sem saberem, ela e ele, a verdadeira dimensão do mundo que acabaram de pisar.

A interacção começou com cortesia e respeito mútuo e nunca se haviam olhado daquela forma, quando o mundo parou e o respirar foi tão ofegante que parecia que a todo o planeta faltava oxigénio pois fora consumido inteiramente por aquelas duas criaturas.

Certa noite na festa de apresentação do projecto ela sentiu algo que, achava ela, nunca tinha sentido, quando chamou o seu nome a sua pele enrijeceu e um calor gelado percorreu cada célula – “Miguel” – e sentiu uma vontade inevitável de o agarrar com toda as forças que os seus músculos podiam. A noite tem um perfume insistentemente empresarial, as cigarrilhas, conversas e risos coloquiais, copos e copos e a comida é deliciosamente japonesa.

Ela estranhou aquela sensação e quando ele se chegou perto ela tinha aquele olhar perturbado de alguém que descobre um segredo perturbador, ela desejava-o nas profundezas do seu ser. E sorriu. Tocou-lhe na mão e baixou o tom da sua voz para um som grave, fazendo lembrar um felino a instigar o seu adversário – “vem comigo” – disse ela e Miguel obedeceu sentindo o puxão de um fio suficientemente forte para facilmente enforcar um homem.

Ao fundo fazem-se os discursos e ouvem-se as palmas e enquanto subiam as escadas para o terraço um medo irracional assolou a sua alma:

“E se ele não sentir também?”

Até agora ela tinha assumido que o querer era mútuo mas como poderia saber? Alto e frio como gelo, aquele homem não se denunciou uma única vez e foi nesse instante que Daniela hesitou, no penúltimo degrau. Foi aí que sentiu que tudo está suspenso por um fio, que um fio bem esticado é capaz de cortar e é então que sente o peso do cortar das amarras a pairar sobre si, o medo da terrível e desastrosa queda mortal que poderá abruptamente se insurgir entre eles – e esse medo paralisa-a.

Mas ela não poderia estar mais enganada, já há algum tempo que ele adormecia atormentado com as fantasias que nunca poderia concretizar. Acordava assolado pela tortura que era pensar nela no primeiro instante que ganhava consciência. A sua tesão roçava os lençóis e tantas vezes imaginou Daniela a acordar a seu lado com os seus lábios a beijar apaixonadamente o seu pénis enquanto ele atingia um rápido orgasmo extasiado e ela sorria vitoriosa e orgulhosa. Miguel respirava fundo e tentava convencer-se que aquelas fantasias nunca seriam mais do isso mesmo: ilusões. No entanto havia uma euforia contida nesse sentimento de querer e não poder e por vezes questionava-se se não estaria a tornar-se viciado nele.

Ele reparou quando ela hesitou naquele último degrau que os levava até ao terraço de um edifício que era tão alto que quase tocava o céu. Quando ela o olhou por cima do ombro ele conseguiu perceber que havia dúvida no seu movimento. E de repente sentiu uma enorme onda que quase o fez corar, e perguntou-se a si mesmo o que seria aquela energia toda, mas rapidamente entendeu que no fundo já sabia a resposta. “Tu também” – disse ele – e no seu pénis tumescente sentiu o palpitar do seu coração. O sangue corria mais rápido que o próprio tempo e por isso parecia que o próprio tempo tinha deixado de existir e de fazer sentido. Naquele momento só existia aquele segundo que ficou suspenso no tempo e no espaço e nos seus próprios corpos: quando ela percebeu nos seus olhos de um castanho profundo que ele já a despira e já a amara tantas vezes quantas ela já se teria masturbado a pensar nele. E é quando ele sobe aquele penúltimo degrau e, o seu olhar encontra o dela, que a respiração se deixa de ouvir e fica no ar o consentimento, a expressão da vontade. Ela não o ama e ele desdenha a noção do amor à primeira vista, de amar alguém que não se conhece, algumas coisas têm de ser conquistadas. Mas ambos deliram com o sabor divinal desta euforia partilhada.

Ao ar livre sentem, naquela noite fria, que os seus corpos ardem por debaixo da pele, ele pode jurar que o rubor das faces de Daniela revelam o rubor dos lábios da vagina dela. Encosta-a contra a parede viril mas gentilmente e aproxima o seu nariz do pescoço dela e é então que respira fundo o aroma que a sua pele exala. Ela resiste-lhe colocando a mão entre si e Miguel em jeito de travar o seu avanço. Afinal ela é a leoa e quer tomar controlo da situação, mas a sua respiração pesada anuncia que não é defesa da sua parte: é um ataque. Os seus dedos apertam com tanta força a camisa de Miguel que lhe fazem doer os nós, beliscam-lhe a pele e por certo magoam-no. Ele arreganha os dentes em expressão de dor e ao mesmo tempo aceitando o seu desafio.

“Onde estiveste este tempo todo?” sussurra Daniela no ouvido dele. Ele fecha os olhos e, agarrando firmemente nos ombros dela, olha-a profundamente e responde “Aqui, sempre.”

Palavras d’o Conto.

Onde estiveste este tempo todo?” sussurra ela ao ouvido dele. Ele fecha os olhos e, agarrando firmemente nos ombros dela, olha-a profundamente e responde “Aqui, sempre.”


O meu espaço tem estado como me sinto, silencioso, vazio, pensativo. Alguns até diriam parado. Mas as palavras borbulham todos os dias em mim, sempre que tudo acontece. Um pensamento toma forma numa pequena nota que acaba por se perder na imensidão do nada.

Em breve publicarei o primeiro capitulo de um Conto Sem Nome. É um conto apaixonado, adocicado, quente, impróprio, mas meu. Uma necessidade que tive de escrever e que agora preciso, preciso de atirar para aqui e deixá-lo ficar aqui. Exorcisar as palavras, as emoções e os fantasmas. É para isso que serve o meu Livro de Reclamações.

A transcrição acima faz parte dele, do Conto.

Uma Sombra Sem Reflexo

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Ela sentou-se a seu lado no chão e perguntou:

– “Lembras-te de quando era Feliz?”

Ele olhou para ela ternamente e respondeu:

– ” Eu lembro-me de quando tu eras presente. – Ouviu-se uma pausa carregada de silêncio – Feliz ou infeliz eras presente.

Ela fitou o chão e o seu olhar vazio fixou a pequena fractura no soalho.

– Tenho falhas… – disse ela.

– Todos temos falhas, todos temos pontos fracos, todos podemos cometer erros.

– Não compreendes. Estou danificada para além de qualquer reparação possível. Defeitos de fabrico, deveria estar num qualquer armazém escuro quieta e esquecida.

– Tu é que não compreendes. Tu estás a afundar-te naquilo que apenas é uma pequena parte de ti mas que te faz ser quem tu és. Faz-te ser quem és mas não te define! Eu já vi quem tu és e continuo a ver, apesar de estares algures aí perdida nessa tua cabeça, sei que és mais.

Ela olha-o de cabeça baixa com dúvida no seu olhar.

– Todos nós temos as nossas fracturas que nos fazem conhecer e duvidar a escuridão existente em nós, mais do que isso definem aquilo que temos de bom, pois fazem-nos aprender a viver e supera-las, fazem com que conheçamos aquilo de que somos feitos para além do bem danificado. Para nos vermos como um todo também temos de conhecer essas falhas e aceitá-las. Mas não podemos apenas e só saber as nossas falhas. Já te vi na tua luz, tu também.

Ela continua a fitar a fractura que atravessa o soalho e solta uma pequena gota que lhe humedece o rosto e inunda precipitadamente aquele precipício microscópico.

– Conheço bem demais o negrume que existe em mim e ao mesmo tempo nada sei sobre ele. Simplesmente deixo-me perder e levar. Faz-me querer estar longe pois não sei quem sou nem sei quem ser. As pessoas fazem-me ver que é esperado de mim alguém e algo que não reconheço! O meu reflexo nas pessoas é vazio e silencioso. Menos que uma sombra, sou invisível.

– Só tu te tornas invisível. Não são os outros. Eu vejo-te, mesmo que não queiras. Só tens de deixar as pessoas entrar. Tens de me deixar entrar.

Ela permanece em silêncio fixando o mesmo ponto infinitamente. Ele levanta-se e coloca a sua mão tapando aquilo que ela olhava. Ela levanta o olhar que se encontra com o castanho profundo dos olhos dele.

– Tens de para de concentrar a tua atenção nas falhas, no que não está bem. Olha em volta, existe muito mais para além disso. Formas, cores, texturas que em conjunto com as falhas formam um todo que se torna completo, belo, iluminado. Como neste soalho.

Se apenas fixares a falha apenas vês a falha e perdes tudo o que acontece em volta e que torna as coisas especiais! Se não olhares á tua volta não conhecerás para além da escuridão, não verás aquilo que já vi em ti, o que te faz especial, inesquecível. Aquilo que marca as pessoas, os lugares e o tempo quando entras numa sala. Se não te vês a ti mesma ninguém te verá também. Por isso pensas que estás só quando na realidade não estás e que está mesmo a teu lado acabará eventualmente por sair. E aí a escuridão tornar-se-à real. Mas ainda estás a tempo! Não estás sozinha, ainda.

Ele levanta-se e agarra na mão dela. Puxa-a para cima junto do corpo dele.

– Eu apenas posso dar-te a mão mas não te posso fazer enxergar. Só tu consegues sair dessa sombra.