Sabes?

Portimão de Ferragudo

Sabes quando por vezes passas num lugar e és catapultada no tempo e no espaço? E o teu coração aperta um bocadinho. E tu sentes aquele nó na garganta. Daquele beijo trocado. Do abraço. Da voz dele que ecoa no teu peito. E fechas os olhos com tanta força, porque queres que essa memória não fuja. E abres os olhos e ele está ali, mas não está. E sentes todo esse fogo que te queima por dentro. E ardes na fúria que te consome no peito. Quase que sentes o seu cheiro. E sentes as mãos dele que te puxam. E tu sabes que queres ir mas tens medo. E cerras os olhos com força. Não queres voltar a sentir aquilo que só tu sabes o que é. Uma paixão tão boa que dói. E está mesmo ali, adormecida debaixo da tua pele. Faz-te muita impressão. E tu até pensas que é outra coisa que te incomoda, mas não… é aquele animal que vive dentro de ti mas ninguém conhece. Só ele. Ele sabe quem tu és mas ao mesmo tempo não sabe. E tu desesperas. São gritos sem voz aprisionados dentro de ti, naquele momento em que respiras fundo e engoles a saudade em seco. Às vezes preferias não recordar mas… tu sabes que não queres nunca esquecer. A maneira como ele te fazia sentir mulher e ao mesmo tempo menina. Como foi bom e como doeu ao mesmo tempo. Quando ele te disse que te amava e tu… sabias que o amavas. Mas continuas a sentir aquele desespero.  Como se ele segurasse o teu coração e o apertasse demasiado. Sabes quando passas nesses lugares que têm o vosso nome escrito por todas as paredes, pedras de calçada, grãos de areia. E mais ninguém vê, só tu e ele. Por mais tempo que passe. E cerras o punho  prometendo não pensar mais nisso. Mas não consegues. Porque quando viras na outra esquina sabes que foi ali que ele também olhou para ti. E tu sabias mas nada disseste. E  assim desapareceu com a brisa. E tu continuaste. Sabes?

Hot Cup of Emptyness

 

Costumava chegar a casa, vestia o robe quente e enrolava-se no sofá com uma chávena de chá. Nunca ligava a televisão ou o rádio. Abria sempre uma brecha da janela, mesmo que estivesse frio, para poder ouvir os sons da rua. As vozes longíquas, os carros a passar, o som da chuva. E ficava na sala sala pouco iluminada a ouvir e a pensar. A pensar no quanto ainda sentia falta dele e se isso era sequer possível passado tanto tempo. ÁS vezes pensava que já não era saudade a sério, era o corpo que sentia falta de sentir falta e agarrava-se aos últimos resquicios de sentir. Há muito tempo que já não sentia. E quando pensava nele já não era com aquele aperto, apenas respirava fundo, por se sentir a afogar no nada.
Tentava esquecê-lo mas o seu corpo não a deixava e a sua mente insistia em relembrar o quanto ainda o amava e odiava nos seu sonhos.
E ficava sentada no silêncio mas numa guerra interna e insana, não sabia estar no nada mas não conseguia sair dele, portanto bebia o seu chá quente e tentava esquecer…depois vestia-se e saía de casa e no bar mais próximo tentava voltar a sentir algo com alguém diferente, mas não conseguia. Quando ele saiu deixou-a vazia. Saiu sem nada dizer, nem ela percebeu, roubou-a, deixou-a e desapareceu. Ficou ela, a casca do seu ser, sem nada. Sem amor, sem emoções, dormente, silenciosa. Vazia.

Uma Cascata Química de Emoções

Existe algo de extraordinário na memória. Quando quero esquecer, não consigo. Quando quero lembrar, não acontece. E como basta um aroma, um sabor, uma palavra para despoletar uma memória que por si gera uma cascata de emoções que me causam um síndrome de coração apertado. E ando o dia todo a rever um filme que conheço tão bem quanto a minha pele. O filme da nossa vida, que passa incessantemente na minha mente em forma de curta-metragem. E quando penso em ti acho que é a maneira que o meu coração tem de dizer “não te esqueças!”. E como poderia?

Tanto me faz sorrir como me pesa na alma, é o peso intermitente da saudade.

 

No Entretanto

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Existem na vida momentos que parece que tudo passa rápido demais. Mal temos oportunidade de guardar a lembrança de um cheiro, um gesto, um som. E existem outros que parece que esperamos que a vida passe por nós. Tudo acontece muito devagar ou nada acontece tão depressa. O Sol nasce e o Sol põe-se e no entretanto a vida passou por nós e nós passamos por ela.
Parece que estamos em suspenso, apanhamos fôlego e aguardamos para podermos expirar. Mas nada acontece.
Tenho o coração em suspenso entre a mágoa e a felicidade e sinto a vida em suspenso entre o acordar e o adormecer.
Sinto o momento em suspenso entre o acreditar e a desilusão.
Até as palavras estão em suspenso.
Mas isto é uma ilusão. A vida passa sempre rápido demais depende de nós o facto de a conseguirmos ver, sentir e escutar na mesma proporção. Mas neste momento parece-me que não, não consigo. É como estar num corredor que nos leva de uma sala para a outra, estou no entretanto de uma etapa da minha vida, não posso respirar de alívio por lá ter chegado nem inspirar fundo por já ter partido. Estou a conter a respiração, num momento suspenso, até deixar de ver a luz da última sala e começar a sentir a intensidade da próxima divisão. E este corredor é escuro e longo, o caminho é moroso, mas não será eterno. Chegamos sempre a algum lado.

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Sem Respirar

The Distance by *carrionshineSabes, estou aqui a olhar para ti e é como se o tempo não tivesse passado, como se nunca tivesse parado de te amar. E, ao mesmo tempo, está tudo tão diferente que a sensação é de estar sentada com um estranho.
Mas és um estranho que não me causa estranheza. Sei o que pensas só de olhar para ti, sei-te ler como sempre soube mas nunca consegui compreender como o aprendi.
Sei quando gostas do que te dizem ou quando te fazem sentir desconfortável. Sei ver nos teus olhos e na maneira como tocas no meu braço que sentes a minha falta, que precisavas daquele abraço.
Não te consigo olhar nos olhos porque me fazes tremer, por seres um desconhecido ou por te me teres conhecido diferente. Porque saber que me podes olhar com estranheza também me causa medo. Porque também me sabes ler ou soubeste um dia e agora… agora tudo é nada. Não somos o que fomos e há um vazio por preencher. E a indiferença é quase osmótica. E eu não quero que me sejas indiferente, porque te amei e te desejei e hoje não é isso mas preciso que sejas presente, num equilíbrio que só tenho contigo. Um equilíbrio essencial e único. É necessário alguém que me conheça no mais pequeno gesto que não seja preciso falar. E preciso de ti assim, tu és para mim, o equilíbrio puro.
Manténs-me.
E tenho de ter alguém que consiga ver através de todas as barreiras, que saiba reconhecer na mais pequena ligeireza. É que, sabes, tu acalmas-me assim, pois sei que há alguém no mundo que consigo entender, não estou sozinha no meio da multidão.
E o tempo passou, e já não somos, tu és e eu sou, mas assim mesmo que te desconheça – conheço-te – e és quem me dá a mão e me faz dar mais um passo desajeitado.
E desculpa se não respirei entre as palavras, nem se fiz sentido, só queria que compreendesses que és mais importantes do que pensas. És mais importante do que eu pensava que poderias ser. És importante, é só isso que tens de saber. Consegues ver?

(des)conversas [10]

Ele: Sabes o que é uma pinhoca?

Eu: Pinhoca?! Não!

Ele: Aqui é o que se chama às pinhas quando estão abertas, são pinhocas. E se estiverem fechadas são pinhas.

Eu: Coitadas das pinhas. Esse nome soa a depreciativo – pinhoca – é como se fossem despromovidas.

Ele: Não, são é promovidas… Primeiro é so uma pinha…. mas agora ja é uma PINHOCA. 😛

Eu: Desculpa, mas não concordo. Tipo tu tens uma pila, mas se quando baixares as calcinhas para o acto do amor ela passar a PILOCA – nao sou a promoção! É tipo um diminutivo disfarçado.

Ele: Que comparação tão fofa.

Eu: A comparação foi fofa para perceberes a “gravidez” da situação da pinha. Que justamente quando se abre para dar ao mundo os seus belos e saborosos PINHÕES passa a ser uma PINHOCA. É simplesmente injusto.

Ele: Pronto está bem.

Eu: Motivo suficiente para sindicato das Pinhas fazer uma greve ao pinhão «Ninguém come da “pinhoca”!»

Ele: O que é que andas a fumar? Também quero…

Eu:  😀