Porquê escrever? 


“A escrita é um encontro entre duas pessoas através das palavras.”

Escrevo para estar contigo, escrevo para estar comigo. Para dizer tudo o que não pude falar e mostrar tudo o que não pude sentir. Para transformar as memórias em saudade, em paixão, em mágoa. Para nunca esquecer e para sempre poder recordar.
Escrevo para exorcizar. Para expelir os demónios e lavar a alma. Para não chorar. Para sorrir cada vez que releio cada memória partilhada.
Escrevo para conversar contigo. Porque a minha alma não pode ficar calada. Porque é assim que mantenho a chama acesa, a sensação de que estou aqui, estou presente, de que sou capaz de deixar a minha marca. Por mais pequena que pareça, mas afinal o que somos nós senão partículas espalhadas pelo universo? 

O que é este blog senão apenas palavras deitadas no vazio, que vagueiam entre o tempo e o espaço, que ecoam em ti, que vibram em mim?
Escrevo porque posso, porque preciso, porque quero, porque é urgente. Porque é para mim e é para todos e não é para ninguém, nem para ti.
Escrevo para não ter de o dizer.

Já não sei amar da mesma maneira.
Aqui sentada na cadeira da varanda, enquanto a brisa sopra quente, os sons de fundo se desvanecem, o fumo do cigarro me envolve. Aqui sentada sei e sinto que já são sei amar como dantes. É essa a minha sentença, a minha verdadeira doença, crónica e terminal:
Um vazio de alma constante, invariável.
Já não sei o que é o amor.
Tentei de todas as formas, senti de todas as maneiras, eliminei toda a lógica. O amor que foi já não é mais.
Acho que senti demais. Quando o amor acabou, esmoreceu ficou um nada tão tenebroso que consome todo o espaço. Não deixa espaço para amar igual, amar mais. O espaço do amor é cada vez menor. E por isso já não sou capaz de amar da mesma maneira.

Awakening

Estamos na era da Internet, da informação, da desinformação. na era em que as noticias, as opiniões, os acontecimentos (importantes ou não) viajam globalmente (quase!) à velocidade da luz (quase…).

Á distancia de um clique, na palma da mão a informação (e o seu arqui-inimigo) nunca estiveram tão perto do utilizador. A moldar mentes (literalmente), a criar opiniões a construir um espírito crítico ou uma mentalidade ovelha.

Nesta era dou comigo a questionar-me que “antes não era assim”. E não era. Cresci e construí uma percepção muito diferente do mundo com a que me deparo agora. A informação não estava tão difundida, havia apenas aquela versão dos factos, a que nos era apresentada pelos canais limitados dos média.

Cresci acreditando numa utopia em que a justiça seria imparcial, que todos teríamos uma oportunidade de vingar neste planeta, num senso de segurança e protecção conferidas por um estado social e um governo justo que poria o nosso bem estar, saúde e prosperidade acima de outros interesses.

Não podia estar mais errada.

Aos poucos fui desconstruindo esta imagem e anexando uma realidade bem diferente. Aos poucos fui relegando esse pensamento ao campo do wishfull thinking e apesar de não ter deixado de acreditar que poderia ser possível, acreditar e ter esperança, a realidade é bem mais negra e bem mais esmagadora e penso que, ou melhor, tenho a certeza que, em boa consciência, não poderia continuar ignorá-la. Porque ignorar é ser cúmplice. E este texto pode até parecer negativo e pessimista, e se calhar até é, mas eu considero-o mais realista. No entanto, o que eu nunca abdicarei (bem, eu espero que não, talvez melhor dito seja:) o que eu irei sempre lutar para nunca abdicar é da esperança de que essa imagem não irá morrer e que poderá um dia ser uma realidade. Porque quem deixa de acreditar pára de lutar. E quem é que quer abdicar de um futuro assim? Eu não.

Acho que existem várias níveis “mentais” ou espirituais na vida cujo atingimento depende essencialmente da idade/experiência. E não falo aqui só da idade biológica, orgânica ou física. Falo da idade que as peripécias da vida nos confere e de como a nossa idade biológica influencia aspectos dessa idade mental.

Quando somos jovens o futuro é tão longínquo e o tempo passa muito mais devagar, não podemos nem conseguimos olhar “mais à frente”. O que nos compele é o aqui e agora, o nosso Ego comanda demais estamos então demasiado envolvidos em nós próprios.

Mas com o tempo e a experiência acontece um awakening. Aquele momento em que deixamos de olhar para baixo e passamos a olhar em volta. E maior do que isso – começamos a olhar para dentro – começamos a equacionar-nos numa sociedade em que as caras que a compõem já não são assim tão desconhecidas e desfocadas. Começamos a compreender verdadeiramente o fenómeno causa-efeito e começamos a observar o impacto que nós como pessoas, seres humanos, temos no que nos rodeia. E só conseguimos atingir este sentimento de “fazer parte” quando nos reconhecemos como um individuo. E acho que é nesse momento crucial que começamos a ver uma realidade, a prestar mais atenção, a solidificar, ganhar ou alterar as nossas crenças, princípios, valores, atitudes, comportamentos, pensamentos. Acho que é neste ponto de viragem que começamos a SER a personalidade que fomos adquirindo. E só aí a expressar opiniões, a agir, a criticar. E este ponto de viragem pode ser DEVASTADOR.

Obviamente que isto acontece sempre de maneira diferente, com amplitudes diferentes e significados diferentes de pessoa para pessoa. Cada pessoa tem a sua individualidade, os seus filtros, a sua percepção e por isso a sua própria realidade.

Portanto eu apenas posso falar da minha percepção, da minha realidade. Tento construir a minha percepção baseando-me em mais informação, tento perceber sempre o outro lado. E olhem que é muito difícil, esta estória de discernir o que é informação e desinformação. É muito difícil tentar activamente não deixar que os meus filtros pessoais assumam “o poder” ao tentar construir uma opinião. É difícil não me sentir assoberbada. É difícil não pintar um quadro tão negro deste nosso mundo e deixar de acreditar que pode não haver saída.

Nesta era que sou bombardeada com informação, anti-informação, desinformação e pura subjectividade é dificil não me deixar levar pelo rebanho, pela corrente, pelo pensamento geral. Descobri que construir uma opinião pessoal (seja sobre que assunto for) é bastante complicado. E acaba por tornar-se um luta interior constante. Portanto compreendo perfeitamente aqueles que preferem desligar, sou capaz de me colocar nos seus “sapatos” e entender o seu ponto de vista. Aqueles que dizem “eu não ligo a isso” e continuam na sua vida. É uma batalha desgastante e é a escolha de cada um a maneira como decide viver e pensar a sua realidade – Fernando Pessoa retratava isso como ser feliz na inconsciência.

No entanto eu prefiro ser feliz num esforço consciente. E aos poucos vou caminhando nesse sentido.

 

 

A Chuva Cai Lá Fora

Silver Skinby tpphotography @Deviantart.com

A chuva cai lá fora.
O calor dos nossos corpos agita-se debaixo das mantas. A tua pele na minha pele que é tua. Desvendamos os milimetros desta paixão que se revela. A cada silêncio, a cada sorriso, a cada abraço sinto-me mais perto de ti, mais perto de mim.
Como se o vazio sempre tivesse existido com um propósito, para tu o preencheres. Como se cada passo tivesse sido guiado até chegar a este momento. O momento em que tu me olhas e me levas, como uma onda num mar revoltado, numa corrente sem destino aparente. E eu deixo-me levar porque sei que contigo estou segura.
E sigo pela tua mão de olhos vendados porque não preciso ver, apenas preciso sentir. O desejo que nos envolve, a entrega que nos abraça, a ternura que nos aproxima.
Não será preciso perguntar porquê. Não será preciso saber como.  Não me interessam todas as explicações do universo, agora, neste momento, a chuva cai lá fora, tu és meu e eu sou tua.
Absolutamente rendidos à deriva pela paixão.

Identidade em Construção

Pôr do Sol na Ilha da Armona
Pôr-do-Sol na Ilha da Armona

À medida que me vou aproximando dos 30 (anos de vida) começo a perceber e a aperceber-me de certas coisas, pensamentos e respostas a questões que sempre tinha mas que nunca as conseguia desvendar.
Saindo dos vinte começo a ter a verdadeira noção de que a vida tem inicio, meio e fim.

Até aos 25 ou 26 parecia que era imparável e o futuro sempre me parecia tão longínquo. O passado demasiado curto para ter de olhar para trás. E vivia sempre num infinito presente. Não é mau, mas não olhar para trás significa não reconhecer aquilo que se fez e que foi feito e as lições aprendidas. Não olhar para o futuro significa não ambicionar, não querer mais, não lutar pelo que se deseja, não crescer.
Viver no presente não é mau até é uma boa filosofia. Não deixar nada passar impunemente, viver o momento, aproveitar o que nos é proporcionado. Mas viver demasiado no presente num constante estado de “venha o que vier” também não é auspicioso.

Ao chegar perto dos trinta sinto que já tenho alguma bagagem que me acompanha. E ao olhar para trás percebo como mudei e tenho completa noção que muitas perguntas e questões continuam sem ser respondidas. Mas também sei que o futuro trará essas respostas. Quando tiver maturidade para as compreender, interiorizar e valorizar. Quando crescer mais um pouquinho emocionalmente.

Cada bagagem que se junta ao passado corresponde a uma questão respondida no presente e a uma nova busca para o futuro.

Uma das coisas com que me deparei recentemente foi em relação ao sentimento de pertença, à identidade. Não sei como lhe chamar, sou leiga nesse departamento. Não me refiro a esta identidade com a minha essência.
Sempre tive a sensação de pertencer a todo o lado e não pertencer a lado nenhum. Nasci na Venezuela, um país que pouco ou nada conheço, ao qual nunca voltei, cujas tradições, cultura ou história não me foram transmitidas pelos meus pais ou a minha família.  Cresci em Portugal, os meus pais são Portugueses e eu considero-me Portuguesa. Hoje.
Porque antes também não tinha esta sensação de pertença, este gosto pelo meu país. Sentia-me deslocada, talvez por nunca ter a experiencia do passar a tradição, os ensinamentos da família. O meu núcleo familiar sempre foi muito disperso e daí eu sempre me sentir assim: dispersa. Sem identidade.

Mas hoje sinto-me Portuguesa.
E mais do que ser Portuguesa sou Algarvia. Cresci no Algarve. Vivi o Algarve. E ainda vivo.
Ainda não viajei muito, mas o pouco que o fiz fez-me apreciar cada vez mais o país que me acolheu e me deu a minha nacionalidade.
E hoje olho para trás e sinto que já não existe aquela sensação de dispersão, pelo menos no departamento geográfico. Tenho a cultura algarvia e algumas das suas tradições absolutamente entranhadas naquilo que sou EU.
Fazem parte da minha identidade. Aquilo com que me identifico.
E apesar de haver algumas peças perdidas neste puzzle difícil de montar, acredito que com o tempo, as experiências, a vida, vou construindo a minha identidade. E aos poucos vou chegando mais perto de estar em total consonância e compreensão do que é o meu EU.
E cada vez que me perguntarem que és tu vou sabendo mais e mais identificar quem sou eu.

A vida, as pessoas que fazem parte da minha vida, vão espelhando quem sou eu. E eu aos poucos e poucos vou me reconhecendo cada vez mais e cada vez melhor. E à medida que vou respondendo a algumas das minhas questões internas vou abrindo espaço para mais. Para nunca estagnar. Para sempre crescer. Para sempre juntar mais e mais peças ao puzzle da minha identidade.

E há 1 ou 2 anos atrás não seria capaz de compreender isto desta maneira.
Crescer e aperceber-me de deste crescimento é simplesmente fantástico.
Faz-me perceber que não estou assim tão estagnada quanto por vezes me sinto.

Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo.

Todos estes meios tons da consciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos. O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas.

Não sei se estes sentimentos são uma loucura lenta do desconsolo, se são reminiscências de qualquer outro mundo em que houvéssemos estado – reminiscências cruzadas e misturadas, como coisas vistas em sonhos, absurdas na figura que vemos mas não na origem se a soubéssemos. Não sei se houve outros seres que fomos, cuja maior completidão sentimos hoje, na sombra que deles somos, de uma maneira incompleta – perdida a solidez e nós figurando-no-la mal nas só duas dimensões da sombra que vivemos.

Sei que estes pensamentos da emoção doem com raiva na alma. A impossibilidade de nos figurar uma coisa a que correspondam, a impossibilidade de encontrar qualquer coisa que substitua aquela a que se abraçam em visão – tudo isto pesa como uma condenação dada não se sabe onde, ou por quem, ou porquê.

Mas o que fica de sentir tudo isto é com certeza um desgosto da vida e de todos os seus gestos, um cansaço antecipado dos desejos e de todos os seus modos, um desgosto anónimo de todos os sentimentos. Nestas horas de mágoa subtil, torna-se-nos impossível, até em sonho, ser amante, ser herói, ser feliz. Tudo isso está vazio, até na ideia do que é. Tudo isso está dito em outra linguagem, para nós incompreensível, meros sons de sílabas sem forma no entendimento. A vida é oca, a alma é oca, o mundo é oco. Todos os deuses morrem de uma morte maior que a morte. Tudo está mais vazio que o vácuo. E tudo um caos de coisas nenhumas.

Se penso isto e olho, para ver se a realidade me mata a sede, vejo casas inexpressivas, caras inexpressivas, gestos inexpressivos. Pedras, corpos, ideias – está tudo morto. Todos os movimentos são paragens, a mesma paragem todos eles. Nada me diz nada. Nada me é conhecido, não porque o estranhe mas porque não sei o que é. Perdeu-se o mundo. E no fundo da minha alma – como única realidade deste momento – há uma mágoa intensa e invisível, uma tristeza como o som de quem chora num quarto escuro.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

Ser Algarve.

Imagem: Por do Sol na Ria Formosa – Ludo, Faro. Erika de Brito

 

Ser Algarvio é muito mais do que a definição pode dar.
Quem cá nasceu, cresceu, viveu sabe que ser Algarvio é fazer parte. Fazer parte da terra e do mar.
É muito mais do que ser do Algarve. É sentir, é respirar, é ter o Algarve. É uma identidade. Um modo de sentir, um estado de espirito, um estilo de vida, é ser Algarve.

Somos Barlavento e Sotavento.
Somos mar.
Somos praias paradisíacas e praias de relax.
Somos passeios à beira mar, à beira rio, à beira ria.
Somo corridas ao final do dia, bicicleta de Vila Real de Santo António a Vila do Bispo, patins ao fim de semana, surf, kite e body board.
Somos mergulhos depois de um dia de trabalho, somos por-do-sol mágico.
Somos ilhas onde se passam momentos incríveis.
Somos Serra do Caldeirão, ribeiras e cascatas escondidas.
Somos petiscadas de inicio de semana, meio da semana e final de semana. Almoços até ás seis da tarde, jantares até à meia noite. Somos mesas cheias de famílias e amigos.
Somos peixe fresco no mercado de sábado, somos marisco da Ria Formosa. Somos doce de alfarroba, figo e amêndoa. Somos flor de sal.
Somos pescadores, mariscadores, pastores e agricultores.
Somos cozido de couve à Monchique e xarém com conquilhas.
Somos medronho e melosa.
Somos boa boca, boa cama e boa mesa. Um coração cheio de paixão pelo Algarve.
Somos povo que adora receber, portugueses e estrangeirados. Há sempre mais um lugar na mesa, há sempre uma história para contar, uma lenda pra saber, uma praga de Alvor pra rogar!
Gostamos de quem gosta de nós. Quem aprecia a beleza que nós vemos e sentimos, todos os dias sempre que saímos de casa.
Somos trabalhadores, mesmo nas condições difíceis. Somos teimosia e orgulho.
Somos campo e somos cidade.
Somos todos sotaques diferentes. Ah como gosto do sotaque algarvio!
Somos algaraviadas, almariados e marafades!
O Algarve também tem os seus defeitos, qual é o lugar perfeito?
Nenhum.
Mas a minha casa será sempre esta.
Os resorts, o cimento, os empreendimentos. Há em todo o lado mas só quem não sai dessa bolha é que não chega a conhecer o verdadeiro Algarve. As gentes, os lugares que não vêm nos roteiros, a sua essência!

Não nasci cá, nem sequer em Portugal. Mas cresci cá, cresci no Algarve. É a minha identidade. Sou Algarvia com cada vez mais orgulho!
Quando me perguntam de onde sou responderei sempre: (primeiro) Algarve, (depois) Portugal.

E não estou a dizer com isto que somos melhores ou piores que o resto do país. Não. Somos nós, Algarvios, nem mais nem menos que os outros.
Apesar de tudo, amo Portugal. A sua riqueza de gentes, lugares e saberes fascina-me e surpreende-me sempre.

Mas serei sempre Algarve.
O cheiro a mar, aroma da serra.

E quem por cá se apaixona e aprecia, terá sempre um convite para voltar, terá o seu lugar na mesa, fará parte do que é o Algarve.

Enquanto tivermos orgulho no que somos, paixão pelo que temos e interesse pela nossa casa, será sempre cuidada, melhorada e enriquecida.
E no nosso coração, seremos sempre Algarve, seja onde for que estivermos.

 

 

Continuar.

Mudar. Acabar. Parar.

Pode ser paralizante, mas cabe a mim não me ficar pelo ponto final.

Findo um capítulo há que virar a página e começar a escrever o próximo. Não acaba enquanto houver amanhã. E a história pode escrever-se sozinha. Mas e então? Queres ser leitor do teu próprio livro ou queres ser tu a escrevê-lo?!

Não será nunca fácil. Mas será menos difícil se acreditares e viveres no teu momento, não esperando pelo amanhã, fazendo tu hoje para amanhã!

Sacar do sorriso. Sacar da alegria. Sacar da vontade! Não deixar sobrecarregar pelo que não tens! Pelo que deveria ser!

As coisas são como TU as fazes. Ninguém fará por ti!

Talvez não marques a diferença no mundo, talvez não saibas qual é o teu papel. Por enquanto é lutar e fazer sorrir. Tens a certeza que não marcaste a diferença no mundo de alguém? Não tenhas tanta. Já o fizeste.

Aceita as tuas vitórias, as tuas conquistas, as tuas falhas! Acima de tudo, aceita a ti mesma!

Não baixes a cabeça à adversidade. Vais conseguir. Tens de desistir só porque não é agora? Não! Se desistires não acontecerá nunca! É hoje. É Hoje!! A única coisa que tens garantido é o hoje.

Por isso sê hoje. Ri hoje. Ama hoje. Sente hoje. Faz hoje. Vive hoje. Beija hoje. Sê feliz hoje. Sê cada vez uma melhor versão de ti hoje. Deixa os outros entrar hoje.

Não deixes que o queixume, as reclamações, a negatividade te façam perder o hoje. Quem sabe se não haverá amanhã.

Portanto, levanta-te daí agora. É agora que tens de continuar.

Não fiques á espera.

Porque o agora também não espera por ti.

 

 

É a Lei da Vida

Não há nada mais desolador do que a sensação de impotência perante o sofrimento de alguém que nos é próximo, que nos é querido.
As Leis dos Homens e as Leis de Deus deixam de fazer sentido, todos os dogmas caem por terra. Imperam as Leis da Vida que se fazem valer, duras, cruas, não escolhem pessoas, idades, tempo. Acontecem. Fazem-se acontecer. Ensinam-me uma lição de humildade.
Tem de acontecer, mas porque tem de ser assim? Ninguém responde. É a vida. É a morte. Não há palavras que possam descrever ou confortar. Só há silêncio. Mas eu tento resistir-lhe, o silêncio está cheio de vazio. E no vazio não há nada. E não quero que os últimos momentos sejam envoltos num nada, não quando houve uma vida cheia de tudo. Há que respirar fundo e tentar encher o nada de calor, de força de amor. Não são precisas palavras, não são. As palavras fazem parte da Lei dos Homens, tornam-se inúteis, desprovidas de sentido. A Lei da Vida é a energia. Que passamos, que recebemos. Tento procurar no mais ínfimo de mim a força, a calma, o amor quente. Tento não chorar e não deixar passar a mágoa e a revolta.
Não.
Este silêncio não pode ser vazio. Nem pode ser cheio de demasiada tristeza.
A única coisa que posso fazer com este sentimento impotente perante as Leis da Vida é transformar o vazio num cheio de paz.
O teu corpo sofre, mas já não o sentes. Quero acreditar que a tua alma já se prepara para voltar a ser energia pura do universo.
A casca dolorosa fica para trás, de nada nos serve mais no final.
Tiveste uma vida cheia, viste os filhos a crescer, os netos a crescer e o mundo a mudar. Não deveria acabar assim, é certo, mas é a Lei da Vida. Não deixa de ser injusto. Mas a injustiça é uma coisa terrena, dos Homens e de Deus.
A Vida essa acontece e a Morte também.
E não nos podemos deixar consumir pelos sentimentos e energias negativos, não. Esses não fazem falta. Agora só precisamos de amor, calma, paz e aceitação. Para que a sua energia flua calmamente de volta ao Universo, às estrelas, à Vida.

Até sempre.