Sleep. Restart. Shut down.

Todos os dias nos deparamos com “coisas”. Pequenos acontecimentos, pequenos sinais que acontecem em segundos ou micro-segundos e passam despercebidos, muitas vezes não surgem no radar da nossa consciência mas que vão sendo anotados e guardados pelo nosso inconsciente até um dia haver um clique, um acontecimento maior que faz desvendar o padrão, que dá sentido a todas as pequenas mensagens que fomos recebendo e arquivando. Algo que me desperta ao nível do consciente. Um processo mais complexo do que aparenta.

Estar consciente, sintonizar a intuição, saber receber os sinais, saber descodificar a energia que me rodeia não é um processo fácil, implica um certo grau de “abertura” porque estar receptivo é estar aberto a tudo: o bom e o menos bom.

E é também um género de escuta activa. Estar consciente, mindfull, é algo que se pratica e tem de ser uma escolha diária. Para além disso há outro componente inerente a isso tudo, se escolho “escutar activamente” a minha voz interior, a energia e os sinais do que me rodeia tenho de, mais uma vez, estar consciente que poderá haver uma reacção interna a isso. Vou ter de lidar com as emoções que isso poderá despoletar.

E obviamente que eu não sou um ser perfeito – que consegue auto guiar-se no meio de tanta interferência, energia e ainda os filtros que a minha experiência pessoal proporciona que podem muitas vezes deturpar a percepção de tudo e que exigem um trabalho ainda maior de compreensão e “análise” (análise é uma palavra muito fria e estéril para este contexto mas é o que se aplica) – sou só humana. Com as minhas próprias falhas, os meus preconceitos, experiências e pontos cegos. Mas acredito que faço o melhor que consigo com as ferramentes que fui adquirindo durante o meu crescimento pessoal, mental e espiritual.

Estar receptiva e estar consciente pode, em determinadas situações, ser assoberbante. Principalmente quando estás em modo cruzeiro, em piloto automático. O que é natural e pode acontecer algumas vezes. Um género de power through que vais seguindo em frente sem olhar para trás, sem teres um destino pré-definido, simplesmentes sentes que tens de passar sem ver. Este tune-out pode ser uma ilusão nos bastidores da minha consciencia a intuição e o radar não desligam verdadeiramente. Então vou coleccionando todo o tipo de coisas que me vão passando pela frente, boas ou más, uma espécie de hoarding. Vou guardando, vou lutando, vou seguindo.

De repente algo me faz acordar, geralmente é quando este piloto automático começa a passar a barreira do mental e se começa a revelar fisicamente. Estou cansada, ansiosa, triste, desesperada, desiludida e inicialmente não entendo porquê. Só me sinto assim e não sei explicar como cheguei aqui, o que causou isto – e é assim porque não é nada em específico, é um tudo e um todo. E é assim que me tenho sentido nos últimos meses. Um acumular de um tudo e um todo que veio da necessidade de fechar os olhos e só seguir, seguir, seguir. E ainda me sinto assim, não totalmente, mas a querer passar esta parte à frente e chegar ao final. Acho que cheguei a um ponto de cansaço mental e emocional tão extremo que não tive outra escolha se não parar.

Parar.

Parar para respirar. Parar para regressar a mim mesma. Parar para entender do que estou a tentar fugir. Por mais que corra, por mais que feche os olhos, por mais que tente conter a minha intuição está aos gritos a querer dizer-me algo que eu tenho tentado não ouvir – o inevitável.

E agora que parei percebo que o piloto automático foi essencialmente uma estratégia de auto-defesa e que chegar ao limite da minha resiliencia só me obrigou a fazer um reboot obrigatório.

Os meus reboots geralmente traduzem-se em simplesmente não conseguir lidar com nada, isolar-me e dormir. Um dia inteiro se for preciso. Aquela técnica básica do IT “já experimentou desligar e voltar a ligar?”.

E agora?

Agora tenho um arquivo de restauro para analisar. Tudo o que fui recebendo e mentendo no “saco” consciente e inconscientemente, tudo isso continua cá, os sinais, a informação que fui registando. Não desaparece. E se quiser manter a minha sanidade mental e não começar a perder partes de mim mesma terei de enfrentar tudo o que o piloto automático me permitiu ignorar.

Um dia de cada vez, passo a passo. Deixa respirar, voltar a olhar pra dentro de mim, voltar a entrar em sintonia. 

Isto seguramente vai envolver questionar muitos aspectos da minha vida, começando pelo factor que me levou a entrar em modo de segurança.

E é curioso como no final tudo começa a fazer sentido, só temos de estar dispostos a abrir essa porta. Mais ou menos evidentes, o universo vai enviando as suas mensagens, e é basicamente uma questão de estarmos ou não preparados para as ouvir e mais importante ainda ACEITAR.

Recentemente algo aconteceu que me abalou, algo simples, que podia passar despercebido ou até mundano. Mas que ressoou em mim como um terramoto de energia fracturante. Inicialmente não consegui discernir o que era e porque se estava a materializar naquela pessoa. Uma montanha de energia, tensão e emoções para as quais não estava preparada que causaram essencialmente um fervilhar interno e intenso.

E indo para além da superfície, do que parece mas não é, um pensamento surgiu na minha mente. Um conceito simples mas determinante. Algo poderoso e com o potencial elevar ou arrasar. Essencialmente um pensamento tão verdadeiro e disruptivo que me fez ver, ainda que muito superficialmente, o padrão que o meu inconsciente tem estado a criar, todos os sinais que tenho recebido (e guardado), todas as mensagens que pareciam não significar nada mas ao mesmo tempo faziam sentido na essência do meu ser – o padrão que se revelou em frente dos meus olhos – que me fez perceber, acima de tudo, que estou num momento de “fight or flight”. Recentemente assisti a palestra pelo Professor Costas Markides que nesete momento está a ressoar na minha mente.~

Sinto que estou a enfrentar disrupção fracturante na minha vida e num momento destes poderia até parecer que só tinha duas escolhas: ver como uma oportunidade ou ver como um problema e agir em conformidade. Mas existe uma terceira opção: assumir este pensamento, esta realização, como ambas: um problema e uma oportunidade.

O que a minha intuição me diz é que não vai ser fácil, nada fácil, vai doer imenso (daí me ter levado ao shutdown – não estava preparada para aceitar) mas também me diz que do outro lado disto tudo vou estar eu, um pouco mais forte, um pouco mais preparada, um pouco mais livre, com outras oportunidades no meu horizonte e com mais capacidade para enfrentar a próxima disrupção.

E racionalmente isto faz todo o sentido mas não quer dizer que não esteja com um medo do caraças. Estou verdadeiramente assustada. E o Costas diz que isto não é essencialmente mau. O medo despoleta uma série de processos internos que me vão ajudar a reagir e a lidar com tudo mas não posso esquecer que não posso focar só no medo. Tenho de também olhar para mim e deixar a minha criatividade e razão levar-me de encontro ao imenso desconhecido que é o outro lado.

Um equilibro dificil de atingir mas por agora só preciso acreditar que irei conseguir ultrapassar mais esta tribulação. Ficar como está não resulta, é como ficar num estado suspenso, entre o antes e o depois. Ficar neste estado suspenso permanentemente só me vai anular.

O próximo passo tem de ser reiniciar, porque shut down não é opção.

Foto postal: Alentejo

Quando se fala em Alentejo é esta imagem que vem à cabeça planícies salpicadas por pequenos montes revestidos de um dourado quente, um prato de migas de espargos e bom vinho. Mas se nos dermos ao trabalho de descobrir o Alentejo pode ser muito mais. Os poucos dias que tenho o privilégio de lá passar são preenchidos por muito silêncio, pasmaceira (que não é necessariamente mau) boa comida e algumas sestas extra. Como tenho aversão ao calor, a altura que mais gosto de visitar é na Primavera, os campos estão verdejantes, há sempre uma neblina mágica ao amanhecer e a temperatura convida a explorar. No Verão entro em modo hibernação e só me atrevo a sair no lusco-fusco. Com internet e tv fora da equação, estes dias permitem-me viver o tempo sem distrações e como sabe bem libertar a mente!

Acho que hoje em dia é cada vez mais difícil libertar-mo-nos das distrações fáceis, que nos levam a estar sempre a procurar o que fazer no próximo minuto (e no depois e a seguir) e que inevitavelmente nos leva a ficar ansiosos e a não saber o que fazer connosco mesmos quando estamos sozinhos.

Hoje em dia estar sozinho é motivo para uma ansiedade desmedida, há um medo da solidão que nos é instilado desde cedo. Como se estar sozinho fosse uma doença terminal que só podemos evitar se ocuparmos cada minuto da nossa existência com todo o tipo de actividades, seja trabalho, horas no ginásio, horas de netflix, horas de youtube, horas de mindless browsing até dormir, voltar a acordar e repetir. Procuramos qualquer coisa que prencha os espaços, os vazios e que nos impeça de estar connosco mesmos.

Há tempo para tudo. Viver no presente ou viver intensamente não tem de ser sinónimo de estar sempre all over the place. Há que reservar algum tempo para para parar, para me centrar, para me escutar, para aprender a estar comigo. Não nos podemos evitar a nós mesmos para sempre (ou não devemos) pois chegará um dia que deixamos de reconhecer a nossa própria voz. Deixamos de saber quem somos se não estivermos com outros ou com o cérebro sempre a computar, e aí começamos a sentir o peso da solidão. Sim porque estar sozinho ou sentir-se só são coisas bem diferentes e que se podem tornar sufocantes quando o não saber estar sozinho se conjuga com sentir que ninguém se importa.

Portanto para mim estes momentos de pasmaceira, de fazer nada e escutar os meus pensamentos ajudam-me a centrar e a encontrar. Para que depois tenha a energia e força necessária para poder investir o meu tempo com as outras pessoas, no trabalho e nas distrações fáceis.

E isso é o que mais gosto quando visito o Alentejo. As distrações são forçosamente retiradas da equação. Fico só eu. Ficas só tu. E reaprendemos ou relembramos o privilégio que é sermos nós.

Folha em Branco

A frustração que me pesa os ombros por não conseguir dizer em palavras aquilo que não sinto. Pois nada sinto. A não ser que não sentir seja considerada uma nova forma de sentir. A não ser que a não-dor e a não-mágoa sejam novas formas de sentir aquilo que não sinto.

A inexistência de sangue a pulsar dentro de mim faz com que sirva palavras frias à mesa e me arraste sonâmbula pela sala. Esta não-vida de não-sentir, de não-chorar, de não-escrever que me deixa em branco e não-editável.

Vivo uma não-vida que me faz não-sentir as despedidas, as faltas, as ausências, os erros. Talvez seja bom não sentir a dureza das palavras. Ou talvez tenha sido a dureza das palavras que me rasgou por dentro e me fez não sentir.

A dureza dos gestos.

As feridas que rasgam nervos, partem, quebram e me empurram para um coma de emoções. Por ter havido uma não-cura.

Por ter enveredado por uma não-saída. A não-vida. A de não-sentir para não sofrer.

«Do You Know It’s Christmas?»

Nunca gostei intimamente da época Natalícia.  Sempre foi uma altura do ano que me assustou verdadeiramente. Dezembro era sempre o mês que queria que passasse o mais rápido possível. Dezembro era o culminar de um ano que finalizava comigo de mãos vazias e coração oco. Sem nada a mostrar. Sem nada que fizesse valer. O Natal era um show-off de fantasias que nunca se viriam a concretizar, de falhanços, de silêncio extremo no meu mais intimo. E por isso sempre o desprezei, o Natal, a época em que todos podem ser/mostrar-se/fazer-se felizes.

Não.

Passo os dias a ouvir as músicas de Natal que me consumiam como um buraco negro. Agora não. Dou por mim a cantá-las, com um sorriso de quem faz planos. Já não sinto as mãos vazias. Tenho algo a mostrar: que me libertei de um peso que me arrastava para o fundo de um oceano obscuro e demasiado pesado. Pelo menos um pouco. Permito-me mostrar um sorriso, um esboço de felicidade. E aproveito agora, pelo menos por agora, o Natal ajuda-me a ocupar o pensamento a criar, planear e a abstrair-me do tempo que teima em fugir. Aproxima-se um recomeço onde me posso comprometer a certas coisas – principalmente a esquecer-te. Onde me comprometo a tomar controlo de mim e não deixar que o silêncio roube mais pedaços de mim. Permito recompor-me.

Não, não é o Natal. É chegar ao fim de qualquer coisa e poder ter um vislumbre do inicio de outra. É o terminar e o recomeçar.

 

“Hoje não dá.”

Até que ponto consigo ouvir esta frase vezes e vezes sem conta sem desistir? Quando o esforço é pouco ou nenhum e as desculpas são apenas isso não justificando o “Hoje não dá”, até quando vou continuar a perguntar:  “E Hoje?” na esperança de ouvir uma resposta diferente?

Até quando vou conseguir acreditar que as pessoas que dizem que se importam, que eu acho que importam, realmente se importam? É que hoje, e em muitos outros dias, realmente não dá!

Não é Gripe A

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Cada vez que olho para uma folha em branco tremo, tenho suores frios, uma dar abdominal lancinante.
Tenho todas estas palavras para dizer carregadas de um misto de sentimentos e quando me preparo nada sai. Nada escrevo. Como uma obstipação, o desconforto, a vontade…e nada. Tomara eu que houvesse um bifidus activo para obstipação de palavras. Uma água qualquer que restitui o ciclo natural, com as suas fibras solúveis.
E as palavras aqui para trás e para a frente. Estou de caganeira de palavras e nada sai.

A Noite dos Oscars

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Slumdog Millionaire do realizador Danny Boyle (Trainspoting) foi o grande vencedor da 81ª Edição dos Oscars da Academia de Hollywood.

Este fantástico filme foi vencedor de oscars:

– Argumento adaptado

– Fotografia

– Mistura de Som

– Edição de Imagem

– Banda Sonora

– Musica com Jai Ho

– Melhor Realizador

e por fim Melhor Filme do Ano.

Quem já viu este filme sabe de certeza o que é sair da sala de cinema com um friozinho no estômago, o coração a palpitar e a sensação de se ter visto um bom filme, como há muito não viamos! Quem ainda não viu, aconselho porque este filme vai-vos deixar colados á cadeira, completamente envolvidos na sua cor, som e veracidade!

Quanto aos Oscars mais “badalados” um destaque para Wall-e como vencedor do melhor filme de animação (não era surpresa nenhuma!) e a consagração de Kate Winslet com o Oscar de Melhor Actriz no Filme “The Reader” (Fantástica prestação!). Sean Penn ficou com o Oscar de melhor Actor (no filme Milk) e deixou uma mensagem de esperança na mudança das mentalidades e futuro nos EUA (e no mundo) em relação à comunidade Gay afirmando que “todos devemos ter iguais direitos!” Milk ganhou também o Oscar para Melhor Argumento Original.

The Curious Case of  Benjamin Button, foi o segundo vencedor da noite, levou consigo apenas 3 Oscars das 13 categorias a que estava nomeado, foram estes: Direcção de Arte, Caracterização e Efeitos Especiais.

Sem surpresa nenhuma Heath Ledger ganhou o Oscar de Melhor Actor Secundário com o seu papel em Joker no filme The Dark Knight. A sua familia subiu ao palco do Kodac Center para receber este prémio proveniente de uma nomeação póstuma (como há muito não acontecia) deixando um obrigado emocionado tanto para eles como para os colegas de Heath, visivelmente emocionados. Para o Oscar de Melhor Actriz Secundária a Academia escolheu Penelope Cruz com o seu papel em Vicky Cristina Barcelona.

Os outros vencedores são:

Melhor Curta de Animação: La Maison en Petite Cubes de Kunio Kato

Melhor Guarda Roupa: The Dutchess de Michael O’Connor

Melhor Filme em Curta Metragem: Spielzeugland (Toyland) de Jochen Alexander Freydank

Melhor Documentário em Filme: Man on Wire de James Marsh and Simon Chinn

Melhor Documentário em Curta: Smile Pinki Megan Mylan

Melhor Edição de Som:  The Dark Knight de Richard King

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Departures, Japão, de Yojiro Takita

No Geral esta cerimónia dos Oscars foi bastante diferente das anteriores, trazendo de novo o Glamour que tem este espectaculo. Com uma melhor organização e apresentação na entrega dos prémios e boas prestações em palco, destacando-se o meddley de Musicais protagonizado por Hugh Jackman (o Apresentador seleccionado) Beyonce Knowles, o par de High School Musical e os actores de Mamma Mia.

Foi uma das melhores e menos aborrecida edição dos Oscars, e os filmes nomeados, todos de grande qualidade. Só é pena que as categorias de Melhor Filme de Animação e de Melhor Canção Original estejam a ficar um pouco abandonadas com apenas 3 nomeações em cada uma, quando antes eram cinco. Foi uma boa noite de Oscars, parabéns aos Vencedores!

(E sim, fiquei acordada desde o inicio até ao fim, para ver tudo em directo e não perder pitada! A torcer pelo Slumdog Millionaire que se tornou um dos meus filmes preferidos assim como a animação Wall-e!)