Ponto de Não Retorno

Só sabemos que estamos perante “life changing moments” quando esses momentos já passaram por nós. E de repente já estamos a olhar para trás.


[Explícito]

Se há momentos raros são os momentos em que há uma pessoa que te toca de tal maneira que o sexo é “life changing” e de repente se torna um ponto de não retorno. Tu sabes que dali tens de trabalhar muito (ou ter sorte) para atingir aquele “gold standard”. E este tipo de sexo não se limita a 2 ou 3 factores. É fruto de uma conjuntura muito especial e difícil de replicar. “The perfect storm”.

Quando te beijei pela primeira vez soube que, naquele momento, estava traçado entre nós um alinhamento muito especial, que nunca até ali, até me beijares, teria sentido com mais ninguém.

E soube quando me viraste contra a parede, naquele quarto de hóspedes, quando me agarraste pela cintura, me desapertaste as calças e enfiaste a tua mão dentro das minhas cuecas, que aquela noite ficaria marcada debaixo na minha pele, como uma tatuagem de emoções, prazer, paixão. Toda a minha vida esperei por ti e não o sabia, um homem que me fizesse abdicar do controlo e me guiasse numa jornada de prazer. Finalmente podia apreciar o melhor sexo que já tive, mas ainda não o sabia.

Ainda.

Eu já estou encharcada enquanto me tiras a blusa e continuas a pressionar-me contra a parede, de costas para ti. Consigo sentir a tua tesão quando te roças em mim só para me provocar. Tiraste o cinto das calças, ainda vestidas, e envolveste a minha cintura com ele e prendeste-me a ti. Eu sorri, queria contrariar-te só por despeito, mas tu sabias e eu sabia, que ali sou tua, de qualquer maneira.

Seria a primeira vez que estávamos juntos, depois do beijo. Juntos, sozinhos, entregues um ao outro. Ainda não conhecíamos o corpo um do outro, aquilo que me faz gemer, aquilo que te faz tremer. Mas estou aqui para descobrir, para te descobrir além das palavras.

Alguma vez sentiram tanta excitação, tanta tesão que até dói? Como se a minha cona estivesse a contorcer-se a cada toque teu, desejando que me penetrasses sem dó nem piedade.

E as palavras que me sussurravas ao ouvido, faziam-me vibrar. Eu acho que todas as paredes estremeceram, até os vizinhos ficarem um pouco embaraçados pois estavam a presenciar algo transcendental e nem sabiam, ouviam com toda a certeza.

Tal como o nosso primeiro beijo, mal podia acreditar no que tinha acabado de acontecer, quando de repente me puxaste para ti e simplesmente nos completámos. Nunca tinha sentido um invasão de sensações por todo o meu corpo como quando me beijaste naquele jardim. Era completamente novo, incrível e assustador ao mesmo tempo. Fizeste questão de me fazer saber da tua tesão, conseguia sentir o teu caralho duro na minha mão por entre as calças. Acho que nunca tinha desejado tanto alguém e me sentido tão desejada.

E esse desejo concretizou-se. Quando senti a tua tesão a deslizar para dentro de mim, foi um furacão de emoções. Sexo, desejo, paixão, fogo, medo, euforia, ansiedade. Tu sempre me deixas fora de controlo, quando estava perto de ti nunca sabia como me sentia ao certo, és um misto de dor e prazer.

Fodemos, amamos, dormimos, ficamos em silêncio, trocamos palavras. Nunca soube bem o que te dizer, contigo fico num estado de transe. Tu fazes despertar um lado em mim que até ali não tinha a certeza que existia, mas agora sei que só consegue subsistir contigo, perto de ti. Em parte isso assustou-me, era o desconhecido, senti que estava a perder o controlo. Mas depois percebi que te estava a ceder o controlo e deixei-me levar por ti.

A maneira como me puxas o cabelo gentilmente quando me penetras por trás. A maneira como sabes fazer sentir-me mulher, sensual. Só quero poder retribuir-te em prazer tudo aquilo que me fazes sentir. Só quero mostrar-te que ali sou tua. Apenas tua.

Até adormecermos exaustos, num momento tão efémero. Orgasmo após orgasmo. Para mais tarde percebermos, que a partir daquela noite, não há como dar a volta.

Aquela noite foi o ponto de não retorno.

“If It Kills Me”


Nem o céu azul te vai salvar deste momento.
O momento que encontramos a liberdade em nós mesmos, em que somos livres um no outro.
Não é para fazer sentido e tu sabes.
Dá-me a mão e sente comigo todos os defeitos delicados da minha pele!
Conhece os teus e ensina-me.
Quero saber-te debaixo da minha pele e de repente tiras-me a alma e a deixas nua, inquieta.
Arrancas-me palavras dos lábios e sons incertos que nunca conheci.
Amar deixa de ser um vácuo, um afazer, um dever! Passa a ser mais porque tu me mostras como se faz.
De repente os teus passos fazem eco nos caminhos sombrios do meu corpo e fazes-me saber que já não estou sozinha. Não…
A partir deste momento tudo é diferente, entregaste-me o teu olhar como prova de que aquilo que dizes reticente e receoso de mágoa é sentido, inspirado e respirado.
E questionas porque todas as minhas palavras são tuas.

Eu não sei e sei.

Pela mesma razão que acordo contigo em mim e me deito sempre comigo em ti!
Porque este é o momento que me marcas com um amor incondicional manchado de mágoa e decisões incertas.
E nada te salva deste momento, em que me feres a pele a ferro quente, para que sempre me recorde que é verdadeiramente tua.
E a mim nada me salva da doença ignóbil de não resistir à razão que prevalece.
É uma praga não ouvir o que realmente comanda a minha voz que geme a teu belo prazer.
E mesmo agora quando tudo já não faz sentido continua a ser mais presente que nunca.
E lamento que este seja apenas mais um playback da memória.
O teu cheiro que já não existe e o som que já não ouço.
É seca a reprodução da lembrança, mas necessária.
É involuntária mas consciente, é um exercício para não te deixar morrer neste momento.
Para não Me deixar morrer.

O segredo de um desejo

O segredo é o que nos move. É o que nos faz continuar querer ser um do outro. Porque é segredo, porque ainda há segredo. Há mistério. Povoas os meus pensamentos em fantasias que chegam sem esperar.
Penso em ti, de dia de noite. Sei quando estás com alguém e sim, sinto ciúme. Sei quando estás comigo.
Quando estivemos juntos conhecemos um no outro o suficiente para haver mais segredo,  mais desejo que nos faz querer desvendar o mistério. Mas não temos pressa! Ambos gostamos deste jogo. É a curiosidade o nosso fuel.
Gostamos tanto deste desejo que temos de acarinha-lo com palavras doces, não mostra-lo tão óbvio, tão exasperado. Escondemo-lo com mensagens atenciosas, com sentimentos ulteriores. Disfarçamo-lo de consequência da paixão. Mas não é verdade, ele é a causa! Ele é o cerne da questão e tudo gira em volta dele. Queremos tão avidamente chegar a ele e ao mesmo tempo mantê-lo por perto e saborear docemente.
É uma dor agridoce a que sentimos quando alimentamos o desejo.  Como quando o sexo está tão teso e excitado que dói e no entanto resistimos á tentação, ao momento final.
É o querer encontrar-te, pensar em ti , fantasiar contigo. Saber que bastam poucos gestos para estar contigo e ao mesmo tempo construir barreiras colocar “se’s” e “ma’s” que evitam que concretizemos o nosso desejo. Sei que queres mas até que ponto queres?
Se penso para além do momento? Sim. Acredito que fez crescer dentro de nós uma vontade de pensar como seria para além do desejo. Pensar como seria se fosse realmente tua. De pensar na realidade para além do mundo envolto em segredo que construímos.
É isso que nos faz continuar. Será apenas isso que procuramos um no outro?

Imperfeita.

O receio de me entregar a ti apodera-se de mim quando nos vejo.
Sinto que esperas mais do que aquilo que sou.
Espectativas altas levam a grandes desapontamentos. Não quero isso, aumenta a probabilidade de te perder, de perder o que temos.
Não crio espectativas, não acredito nelas, abraço o que existe para mim para o valorizar. Mas sei que tu crias, é inato.
A imperfeição leva de mim o que quer, até o que sinto por ti.
Sucumbo a ela como ser humana, como mulher. Não me esperes anjo ou deusa, asas não tenho nem a beleza é pura.
Imperfeita, quero que me vejas e abraces como sou. Mulher que te quer amar,menina nos meus defeitos.

Verdade Inconstatável

Porque o amor não tem códigos nem precisa soar em palavras que urgem ser ditas a todo o momento.O amor existe num simples olhar, num silêncio. Reconheço-o num toque, numa nota musical. Naquela pausa.
Não precisas dize-lo sempre porque o sei.
Não precisas confirmá-lo ou tentar prová-lo. O teu corpo denuncia-te. Não são só os teus gestos ou palavras óbvias. O amor existe em ti e através de ti, eu sei-o.
Não preciso ouvi-lo sempre (embora por vezes anseie que mo digas). Duvidar? Quem não o faz?
Pôr em causa faz parte da condição humana. Nada é uma verdade imutável, tudo está sempre em mudança. Por termos consciência da efemeridade, duvidamos. O amor pode não ser para sempre (dificilmente o é) mas enquanto é a nossa certeza queremos prová-lo verdade inconstatável. Por isso o dizes vezes sem falta. Para afirmares que ele está aqui e é a tua verdade (a nossa verdade).
“Amo-te sabes?” e eu sei-o. Até me mostrares o contrário.

“Porque nunca disseste que me amas?”

Porque não gosto de atirar palavras ao vento. Não te vou dizer que te amo sem que sinta o seu verdadeiro significado.

“Então não me amas?”

Estou apaixonada. Gosto muito de ti. Tenho-te muito carinho. O amor é algo muito maior, que vai surgindo e crescendo. Vai acontecendo.

Estou a conhecer-te, pode ser que um dia te possa amar, e se um dia te disser que te amo podes ter a certeza que será sincero e não apenas mais uma palavra.

 

 

 

 

 

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