O Silêncio Nada Diz

Preciso que estejas presente em corpo, em espírito, em mente. A forma das palavras que me levam pela mão. Fazem-me subir mais alto, olhar em frente, preciso-te presente!
Preciso que estejas aqui. Sentir que sempre estiveste, faz-me crescer, querer ser mais.
Sê o homem que me puxa ao limite, que me faz perder o controlo, beijar o medo.
Preciso que me faças acreditar. Que sou capaz de amar. Que sou alguém com alguém, desprovida de vazio. Capaz de ser a luz do sol que aquece a manhã fria.
Preciso que me tires da sombra.
Que me faças chorar nas tuas palavras duras. Que me faças ver melhor na neblina da dúvida. A verdade brutal. A sinceridade dilacerante.
O teu sorriso, o teu olhar, o teu carinho, o teu bom dia. Preciso  mais da alma que da carne. A alma que sempre partilhámos, do nosso mundo que sempre conheceu a luz de prata da Lua.
Preciso de saber se aí estás.
O silêncio nada diz. É mudo como a sombra.
É breu, é nada. Preciso de ti, sempre, presente em mim.

Escrever é perigoso

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.” Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego

Deixar de escrever foi a pior coisa que alguma vez pensei fazer. Talvez uma das piores que já fiz a mim mesma. “E depois?” – perguntei a mim mesma – e se lerem? E se me pedirem justificações pelas palavras, pela emoção contida, pelo significado? Entendam o que quiserem entender, dêem-lhes os significados que melhor consigam. E se algum dia não fizer sentido, não me perguntem, não responderei. O melhor a fazer, para dissipar dúvidas ou questões inconvenientes (e provavelmente respostas inquietas) é não ler.

É o meu lugar, aquele onde escrevo o que quero, o que posso, o que consigo. Onde finjo a verdade, onde verdadeiramente  (me) sinto no fingimento. Onde nada terei a quem justificar senão a mim mesma. Poderá parecer sem sentido para alguns, não me importo, não quero saber.
Tem o sentido que quero dar, tem a lógica que quero perceber, tem o motivo que me justifica. Não vou deixar de escrever aquilo que me aprouver por não querer ferir susceptibilidades, quem lê com susceptibilidades sensíveis que mude de página. Aqui, neste espaço, não terei nunca de me justificar, e se me perguntarem “Porquê?” eu responderei da maneira mais distante e infantil “Eu escrevo o que eu quiser.

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É triste pensar que deixamos de conhecer aquela pessoa, quando deixamos de saber quem está ali ou se alguma vez esteve.
Quando pomos em causa qualquer palavra, gesto ou acção.
Se pergunto quem és e não sabes responder é ainda mais triste. Sei que não fui só eu quem te perdeu,  aconteceu-te o mesmo a ti própria.
É uma luta tentar encontrar-nos em nós mesmos. Palavras fáceis e frases feitas fazem-no soar demasiado fácil.

E mais complicado ainda é quando o nosso mundo não nos reconhece. Quando aquela pessoa que se sentou ao nosso lado e partilhou aquele lugar toda uma vida se tornou apenas mais alguém. É como se nos tivessem cortado os fios que nos prendem à vida e por último nós próprios cortamos o último fio, aquele que nos prende a nós mesmos.
Quando nos perdemos vagueamos por um lugar que não é vazio, apenas é silencioso.
Um lugar onde vemos a vida passar, o nosso mundo de fios soltos rodar, apenas como espectadores.
Viver torna-se um ficheiro apenas de leitura, não nos é permitido alterar uma passagem, porque não pertencemos ali. Não é por não querer,  nem por não poder… Porque podemos o que queremos.
É simplesmente porque, mais difícil que reatar as amarras que cortamos com o nosso mundo, é realmente encontrar a coragem para o fazermos.

E então aí tudo se torna um desconhecido familiar, que se senta ao nosso lado, segue connosco no mesmo autocarro mas com um destino diferente.
Os olhares que se cruzam são constrangedores e fazem-nos lembrar que nem sempre foi assim, uma sensação de tão boa que é faz doer.
Cortar os fios significa tornarmo-nos sonâmbulos, dormentes à dor. E por isso saímos do autocarro, evitamos o desconhecido familiar. Escolhemos desaparecer cada vez mais para dentro de nós.
E um dia quando se ouvir a pergunta “onde está A Pessoa?” do familiar desconhecido, todos têm a força mas só alguns têm a coragem de usa-la para dar um nó nas pontas soltas e responder finalmente “Eu estou aqui! E tu estás comigo?“.