Polaroid - Procissão

Eu admiro a fé e a capacidade do ser humano de ter fé.
Fé é a adesão absoluta do espirito àquilo que se considera verdadeiro. Fé está, no sentido geral da palavra, maioritariamente ligada à religião. O acreditar incondicionalmente na existência e presença de algo superior. Mas a fé não é só isso. É o acreditar.
Não acredito numa religião em especial, mas tenho fé que existe algo mais do que nós, ser humano. Tenho fé na nossa dimensão espiritual e divina, tenho fé na nossa capacidade de amar. Tenho principalmente fé na capacidade do ser humano de evoluir, aprender, adaptar e principalmente criar.
Existem muitas formas de fé, algumas não tão positivas que outras, e apenas depende daquilo que cada um acredita, daquilo a que cada um se entrega e cada um é responsável pela sua fé.

Eu acredito que, acima de tudo, deveremos sempre ter fé em nós próprios.

Behind Closed Doors

Quando fechei a porta fi-lo com todas as minhas forças. Do lado de dentro eu e de fora o mundo inteiro. Prometi-me que não deixaria entrar mais ninguém para que não tivesse de sofrer a sua saída.

Prometi-me não deixar entrar as sombras da dor para não mais a sentir no meu corpo. O que me separa do mundo são paredes finas e uma porta fechada. Fechada mas destrancada. Uma leve inconsciência que ainda me deixa vulnerável a quem está lá fora. Quem quer entrar bate á porta mas nunca tenta abrir. Eu tento abrir. Falamos através de barreiras, criamos laços à distância de um rodar de maçaneta. Quem conhece não sabe que a porta está destrancada, ou talvez não queira saber. Basta um gesto e está cá dentro, em mim. Ninguém na realidade tentou entrar. Talvez pensem que nunca o permitirei. Não existe nenhuma barreira intransponível, só aquelas que nos queremos fazer acreditar.

“Nem para ti és boa!”

É o que tenho ouvido e ignorado várias vezes. Nem para mim propria sou boa e é verdade. Faço planos de mudança (pessoal, fisica, mental, espiritual) que não me obrigo a cumprir.

Devo ter nascido sem o gene de força de vontade. Ou melhor, devo ter nascido com um gene que é dominante em relação ao gene da força de vontade para fazer coisas positivas para mim.

Quanto mais me destruo, mais me lamento. Quanto mais me canso de mim mesma, menos força tenho para mudar. E aqui estou eu presa neste ciclo vicioso da negatividade, que quero mesmo sair, mas ara sair, não basta querer, tenho de fazer. “I hve to be a do’er” é a melhor expressão que me ocorre. E tenho de fazer as coisas e não só querer fazer as coisas.

Tenho de encontrar a força de vontade e pelo menos para mim, ser boa.

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office_by_welsix@DA

É triste pensar que deixamos de conhecer aquela pessoa, quando deixamos de saber quem está ali ou se alguma vez esteve.
Quando pomos em causa qualquer palavra, gesto ou acção.
Se pergunto quem és e não sabes responder é ainda mais triste. Sei que não fui só eu quem te perdeu,  aconteceu-te o mesmo a ti própria.
É uma luta tentar encontrar-nos em nós mesmos. Palavras fáceis e frases feitas fazem-no soar demasiado fácil.

E mais complicado ainda é quando o nosso mundo não nos reconhece. Quando aquela pessoa que se sentou ao nosso lado e partilhou aquele lugar toda uma vida se tornou apenas mais alguém. É como se nos tivessem cortado os fios que nos prendem à vida e por último nós próprios cortamos o último fio, aquele que nos prende a nós mesmos.
Quando nos perdemos vagueamos por um lugar que não é vazio, apenas é silencioso.
Um lugar onde vemos a vida passar, o nosso mundo de fios soltos rodar, apenas como espectadores.
Viver torna-se um ficheiro apenas de leitura, não nos é permitido alterar uma passagem, porque não pertencemos ali. Não é por não querer,  nem por não poder… Porque podemos o que queremos.
É simplesmente porque, mais difícil que reatar as amarras que cortamos com o nosso mundo, é realmente encontrar a coragem para o fazermos.

E então aí tudo se torna um desconhecido familiar, que se senta ao nosso lado, segue connosco no mesmo autocarro mas com um destino diferente.
Os olhares que se cruzam são constrangedores e fazem-nos lembrar que nem sempre foi assim, uma sensação de tão boa que é faz doer.
Cortar os fios significa tornarmo-nos sonâmbulos, dormentes à dor. E por isso saímos do autocarro, evitamos o desconhecido familiar. Escolhemos desaparecer cada vez mais para dentro de nós.
E um dia quando se ouvir a pergunta “onde está A Pessoa?” do familiar desconhecido, todos têm a força mas só alguns têm a coragem de usa-la para dar um nó nas pontas soltas e responder finalmente “Eu estou aqui! E tu estás comigo?“.

Descobrindo-te em mim

Aos poucos vais conquistando o espaço que mereces dentro de mim. Eu vou descobrindo o quanto te gosto. Quanto me vais fazendo falta.
Aos poucos vais conquistando a felicidade que mereces dentro de mim. Vais conquistando todos os meus sorrisos. Mesmo aqueles que teimam em se mostrar naqueles dias mais difíceis.
Aos poucos vais-me mostrando que não é difícil te amar. Vais afirmando o que sentes por mim em cada toque, cada gesto, cada suspiro.
E a cada discórdia ou palavras mais acesas vais docemente quebrando as minhas barreiras. Vais ultrapassando as minhas defesas. Vais querer mais de mim. Vais conquistando o espaço que mereces dentro de mim.