Chegar a ti

Estou a correr num só fôlego e não sei para onde vou. Só sei que estou a correr. Não estou a correr de nada mas sei que estou a correr para algo. Todo o ar que entra nos meus pulmões se esvai em passadas contínuas. Quero chegar mas não vejo o destino por isso continuo, sem parar. O meu coração quase que explode no meu peito. Coração que contrai e bombeia, abre válvula, fecha válvula, empurra o vermelho sangue por todo o meu corpo. Passada a passada estou a correr e só sei que é para ti. Olho em volta sem nunca abrandar, vejo a vida que passa por mim de rompante e eu que passo por ela ofegante, continuo a correr enquanto te procuro, não sei onde estou mas continuo a correr.

Para ti.

Não quero chegar tarde demais, um segundo e tu já viraste as costas, não desisto e cerro os punhos. Todo o corpo me dói mas eu preciso…

Eu preciso de chegar a ti.

Aguenta mais um pouco nesse penhasco não te deixes levar pela brisa, continua a contemplar a paisagem, não olhes para baixo, olhos em frente no horizonte, respira fundo, estou a ir. Coração na mão, de olhos molhados, as lágrimas escorrem mas eu luto. Só vou parar quando chegar a ti. Diz-me onde estás, chama o meu nome, deixa-me ouvir a tua voz. Chama por mim. Chama por mim!

Eu ouço-te e corro até ti.

Já vejo os teus olhos ao longe, brilham com a luz vermelha do pôr do sol. Estou aqui. Estou aqui! E caio em teus braços, tu seguras-me e eu agarro-te. Não me deixes… Não me deixes! Não seria capaz de fazer isto sem ti.

Não serei capaz de amar sem ti.

Ficamos imóveis um em frente ao outro, face com face, peito com peito, mão com mão, tão próximo que ouves o desacelerar do meu coração.

Há um silêncio que nos envolve, não é um silêncio de vazio, não. É um silêncio de completude. Cheguei, estou aqui. Respira. Amo-te. Abraça-me.

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Pensava que o assunto tinha ficado arrumado mas não ficou. Ainda há páginas soltas. Cheguei a essa conclusão há pouco tempo num dos meus poucos mas emotivos “rants”. Gostava de ter a coragem de te dizer que preciso de falar contigo. São demasiadas as perguntas sem resposta. Perguntas que nunca deixei que me passassem pela cabeça mas que neste momento pairam por aqui.

Preciso de saber.

Até pode parecer tarde demais, depois do facto consumado, do leite derramado e de todo o tempo que passou, mas cada um leva o seu tempo a processar. Há que admitir que não é fácil processar uma relação fantasma, que só fez parte de uma realidade invisível e existia apenas dentro das fronteiras da nossa existência. E ainda que tenha compreendido, que tenhamos agido da maneira mais correcta (e responsável) que me tenha colocado nos teus sapatos, ao olhar para trás, agora vejo, que ficou tanto por dizer.

E a retrospectiva pode ser a pior inimiga. Quando olho para o que foi feito e para o que foi dito com outros olhos, outro coração e mais bagagem de vida, vejo agora o que a minha perspectiva não me permitiu na altura, é daí que surgem novas questões.

Será que também tiveste a mesma capacidade de te colocar nos meus sapatos? Será que sabes o quanto me marcaste e também magoaste?
Foi para ti tão leviano quanto parece? Será que foste sincero nas tuas palavras ou só precisavas de um escape?
Fui eu a tua maneira de escapar à tua dura realidade, nada mais?

Eu desde cedo antecipei o desfecho, a minha intuição tem destas coisas, mas também foi a teimosia que me fez ignora-la. Quando me disseste que não me podias ver mais eu já o sabia dentro de mim. Já sabia porquê mesmo antes de mo revelares e mesmo assim…desejei que cada palavra que me estavas a dizer fosse outra coisa qualquer que não aquilo. Acho que nunca tinha sido tão racional como fui contigo. E mesmo a sentir o rasgão que me deixaste na pele coloquei as minhas emoções de lado. Fui fria e consciente da verdade que se impunha. Filtrei tudo, a dor, a raiva, o desespero, a tristeza.

E agora, gostava de ter a coragem de te fazer todas as perguntas que te devia ter feito e que ainda quero fazer.
E não é porque quero reavivar seja o que for, magoar-te ou algo assim… é por mim. Acho que o merecia depois do que fui capaz de fazer por ti. Depois de tudo merecia a oportunidade de fechar o capitulo sem dúvidas, sem mágoas e com a verdade. Olhar-te nos olhos sem me sentir tão pequena e tão vazia como quando naquele momento em que tu me disseste adeus.

Sem mim.

Preciso de falar contigo, consegues ouvir-me? Sim? Ah…

Só queria saber se para ti foi tudo um jogo? Se eu fui uma apenas uma conquista ou até uma mera distracção… Se os teus beijos eram teatro e as tuas juras de amor uma manipulação. Se o meu coração apenas te serviu de entreposto enquanto estavas de passagem.

Estou? Estás a ouvir-me?

Devias ter escolhido o silêncio em vez de dizeres que me amavas, tal como o estás a escolher agora. Não tens resposta ou não queres responder?

Quantas vezes me quis ir embora e tu não deixaste disseste que precisavas de mim. Agora percebo, precisavas de mim para construíres o teu mundo fantasioso paralelo à tua realidade. Mas a tua ilusão era a minha realidade, sabias?

Agora olho-te de longe e nem sei quem és. Fui eu que sonhei ou tu que imaginaste?

Que pessoas fomos nós? Altamente indiferentes ao mundo lá fora… Eu não era eu e tu nem sei, foste alguém que não tu e de repente deixaste de existir. E eu também. Quando deixaste de existir deixei de ser a mesma pessoa e o amor já não era a mesma coisa. A paixão via-me com outros olhos. Deixei de sentir até tudo ficar dormente até deixar de sentir toda a dor e mágoa que restou quando detonaste a minha realidade e abandonaste a tua ilusão. Quando viraste as costas, sorriste, desapareceste, sem rasto, sem memória, sem…mim.

Esperança fingida

Esperança fingida.
Espreitas pela escuridão como um pequeno rasgo de luz num negro céu infinito. E eu teimo em não te querer ver.
Esperança fingida.
Existes para me iludir, contas a história que quero ouvir, com as palavras que quero dizer e dizes-me que o coração não mente.
Não mente? Mentes-me tu, esperança fingida, queres fazer-me acreditar em ti e ganhar forças na minha ingenuidade.
Vais me dar a mão até quando? E deixas-me cair no vazio da ilusão desamparada! Esperança fingida, que fazes tu aqui outravez?
Já não te tinha dito para não voltares! E chegas com as tuas palavras sibilantes que me seduzem a alma. Porque quero tanto acreditar, mas o abismo puxa-me e não consigo!
E continuo a cair! E até quando?
Estendes-me a falsa rede de segurança, feita de linhas de papel trémulas, vazias, transparentes.
Dilacerante esperança fingida!

 

Emoções em Rascunho

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Seria mais um dia em que não pensava em ti mas as tuas palavras rasgaram o silêncio. Foi com um olá que o meu corpo estremeceu. Pareceste-me demasiado familiar e no entanto não sei já quem és. O tempo e a distância mudam tudo. Ainda mais porque ficamos em suspenso, mal resolvido, mal explicado. Cada palavra tua pesa na minha consciência, obriga-me a sentir aquilo que escondi do coração. O que foi mal dito, o que ficou por dizer, o que ficou por explicar. Aquilo que não te soube garantir quando foi mais importante. Porque fui imatura e não pensei nem com a alma nem com o coração. Porque me achei corajosa numa situação em que fui covarde,pois tive medo. Da mudança. Do desconhecido. Apesar de…o desconhecido ser-me tão familiar contigo. Poderão  haver todas as razões que nunca justificarão as acções. Não haverá palavras que façam jus à compreensão. Porque o tempo já passou e o que ficou foi a desilusão de um momento que ficou pendente no espaço sem explicação. A falta de palavras, a falta de prova de que tudo o que era nosso era válido. Sempre o foi.
As emoções ficaram em rascunho. Pois não expressei os meus medos e apreensões. Não te disse o quão assustada me sentia. Apenas recuei e fugi. Não soube como confessar as minhas dúvidas. Não quis confiar que as entendias. Talvez agora consiga tirar as emoções do rascunho e as publique em palavras. Mesmo que de nada sirva.

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Fingertips away

Quando chegas, todo o meu corpo estremece. Quero saber-te. Anseio pela tua voz. O teu toque.
Não me deixo desejar-te mas é mais forte que eu. Não é um impulso controlável. É mais que desejo, é uma força maior. Cada palavra liberta um sorriso. Quero aprender a ouvir-te. Saber ler mais que as palavras, ler o teu olhar, o teu sorriso, a tua respiração.
Saber amar-te, em cada recanto do teu corpo que chama por mim.
Não quero que o medo, por vezes, puxe pela razão e erga barreiras. Sei que és meu, desejo ser tua.
Incondicionalmente, sabes que te amo, no verdadeiro sentido da palavra.
Tenho paixão.
Respeito-te. Admiro quem és. Aprecio todo o carinho, sorrisos e fantasias que me ofereces.
Já escolhi. No meu coração, no meu corpo, na minha alma. O espaço é teu.
Quero que a realidade toque a ilusão, que a fantasia seja mais que real em nós. O que falta sou eu, talvez. Por racionalizar, por ter receio.
Quero que me ames em todo o sentido da palavra. Ama-me inteiramente, suavemente, carnalmente, seguramente. Faz-me mulher nos teus braços enquanto ouves em sussurro que sempre foste o homem da minha vida, mesmo antes de o saber.
Inabalável.
Será o timing a única coisa que nos falta? A conjuntura.
Is our love fingertips away?

Wish Upon a Star

wish by ~bricks-in-the-wall @ DA

When I wish for you, can you feel it?

When I wish to be near you, do you know it?

When I wish you to hold me, would you do it?

I wish you were here.

When You Wish Upon a Star – Linda Ronstadt