«Do You Know It’s Christmas?»

Nunca gostei intimamente da época Natalícia.  Sempre foi uma altura do ano que me assustou verdadeiramente. Dezembro era sempre o mês que queria que passasse o mais rápido possível. Dezembro era o culminar de um ano que finalizava comigo de mãos vazias e coração oco. Sem nada a mostrar. Sem nada que fizesse valer. O Natal era um show-off de fantasias que nunca se viriam a concretizar, de falhanços, de silêncio extremo no meu mais intimo. E por isso sempre o desprezei, o Natal, a época em que todos podem ser/mostrar-se/fazer-se felizes.

Não.

Passo os dias a ouvir as músicas de Natal que me consumiam como um buraco negro. Agora não. Dou por mim a cantá-las, com um sorriso de quem faz planos. Já não sinto as mãos vazias. Tenho algo a mostrar: que me libertei de um peso que me arrastava para o fundo de um oceano obscuro e demasiado pesado. Pelo menos um pouco. Permito-me mostrar um sorriso, um esboço de felicidade. E aproveito agora, pelo menos por agora, o Natal ajuda-me a ocupar o pensamento a criar, planear e a abstrair-me do tempo que teima em fugir. Aproxima-se um recomeço onde me posso comprometer a certas coisas – principalmente a esquecer-te. Onde me comprometo a tomar controlo de mim e não deixar que o silêncio roube mais pedaços de mim. Permito recompor-me.

Não, não é o Natal. É chegar ao fim de qualquer coisa e poder ter um vislumbre do inicio de outra. É o terminar e o recomeçar.

 

Não falar, não sentir, não partilhar.

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Não querer,

não cair

ter medo de não levantar.

Não poder amar,

Não chorar,

Não lutar e não vencer.

Não me entregar.

Não esperar.

Não ser feliz.

Não ver e não querer ver.

não ceder.

Não libertar,

não voar, não sentir.

Não pensar e não falar.

Não conhecer, não reconhecer e

não partilhar.

Não aceitar não sonhar.

Não imaginar não viver.

Não ficar e não olhar para trás.

Não desistir e não recear.

Não resistir a não sorrir.

Não sair, não fugir, não parar.

Caixinhas de Recordações

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O Tejo tem um efeito cliché em mim. Fascina-me. Pano de fundo de bons momentos e doces memórias.

Traz-me sentimentos nos seus momentos. Mesmo aqueles que não quero rever nem quero sentir. Mas ali estão, vivem guardados eternamente (ou quase) em pequenas caixinhas da recordação. Fosse eu contar todas as histórias…

Na Lisboa nova houve uma lágrima contida, o Tejo soube mas tu não.

Abracei-te para que não a visses fugir de dentro da minha alma. Foi na primeira vez que senti medo, de me entregar, de te perder, da paixão que nos roubava a calma. Foi quando soube que por mais verdadeiro que parecesse nunca poderia ter-te. Já aí te senti a escapares-me pelos dedos a fugires-me sem olhar para trás, como previsse as imagens de um futuro nas negras águas do Tejo.

Foi o medo que me fez abraçar-te, mais forte e mais longo. Queria sentir o teu coração no presente, junto ao meu, ali e agora.

Tu sentiste sem saber. O beijo foi o mais forte de todos os beijos. Tu não o sabias, mas foi esse o último e o primeiro. O primeiro beijo de todos que marcaram o fim.

Quando dormimos nus

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Quando dormimos nus,despidos dos medos e espectativas,despidos das horas, do tempo, do timing… Quando dormimos nus, despidos da carga da vida, despidos da razão que atormenta.. Quando dormimos com as emoções a nu, e a pele nua à brisa do quarto… o sorriso é de liberdade,despido de ilusões. É presente a nu, a paixão crua, despida de antes e depois, apenas o verdadeiro agora, duas peles que se tocam,duas almas que se amam num êxtase de silêncio, dois sorrisos, quando dormimos nus.

Um de cada vez

A vida, passo a passo, fica-nos guardada na memória. E passo a passo percorremos todas as experiências de uma vida. Passo a passo aprendemos a crescer a bem ou a mal. Passo a passo percebemos que muitas vezes damos passos na direcção errada. Pé ante pé percebemos que dos passos que damos de nenhum podemos voltar atrás. Podemos no futuro reescrever e evitar pisar as mesmas passadas outrora dadas, embora nem sempre o consigamos fazer. A passos largos ou a passos curtos seguimos sempre na mesma direcção – em frente – podemos parar em encruzilhadas mas o caminho é longo e logo teremos de decidir e fazer-nos à estrada. Poderemos ter companheiros de caminhada ou até percorrer sozinhos, mas acertar o passo com alguém querido alivia-nos o caminho. Passo a passo deixamos a nossa pegada na vida de alguém e os outros na nossa também. Existem grandes pegadas, fortes e profundas, que nos marcam extensamente, há também aquelas que são apagadas facilmente. Passo a passo caminhamos para um final desconhecido, mas que sabemos que existe. Nem por isso deixamos de caminhar! Deixamos a melhor marca que conseguimos na esperança de que quando terminarmos a nossa viagem, outros que são nossos, possam seguir as nossas pisadas, as melhores, as exemplares (assim o esperamos) – passo a passo.