Words left unspoken

– Are you ok?

– Why do you ask?

– I don’t know, I feel like something’s wrong.

– Nothing’s wrong. Everything’s wrong… I feel like I’m always in some kind of emotional darkness. I can’t get over it, it’s my new normal. I think I’ve learned to accept it. This turmoil inside is not meant to be gone, it’s a part of me and I can’t do anything about it. I don’t know why I even turn to you when I’m feeling like shit in the void. I don’t need you and you make no difference in my life. You are barely there anyways.

Fuck this. I shouldn’t expect you to be. You should be where you belong, in the past. I’ve got this fantasy on my mind that we could’ve been something great. But that’s just to mask the shitty things we’ve done and the fact that we are shitty people. It was never love, it was novelty, fantasy, reckless. We end up leaning on each other prolonging this fantasy of what should’ve been. It’s bullshit.

It was nothing.

I feel nothing.

That’s why I can’t understand why the fuck I keep caring about you, why do I feel the need to keep you “around”. When in fact that just makes me feel worse.

So that’s what’s wrong.

You are right.

Something’s wrong, this is wrong.

We’re wrong.

We were wrong all along, there’s no fucking special connection. It’s just the need to feel something outside this void and you are the one closest.

This is what’s wrong, I don’t have to count on you or need you to be there. That’s messed up. We shouldn’t even be speaking.

We’re toxic to each other and yet we tell this tale that we are kindred spirits in order to maintain this sick connection. You were a good challenge, I’ll give you that. A relationship between us would’ve never work. It would never be possible. You’ve never seen me as I am. You projected this fantasy onto me and I just went along with it. It was nice. The sex wasn’t that good. Sorry, I don’t mean to hurt you, it’s just that doing this makes no fucking sense.

And yet…here we are.

Até amanhã.

Ela acorda de manhã sempre com a sensação de que lhe falta algo. Ela sabe o que é mas não diz, nem a si mesma, pelo menos tenta. Porque dói quando o nome dele soa na sua pele. Ela olha o telemóvel e aperta a mão contra os lençóis. “Não faças isso!” – pensa para si mesma. É inconsciente, ela procura-o sempre, todas as manhãs. Mas ele já não está, ou nunca esteve, já não sabe bem. Mas o esforço para contrariar esse impulso, é muito consciente, talvez demasiado. Todas as manhãs ela contorce-se e deixa o seu coração sentir saudade.

Levanta-se. Todo o peso de um dia que ainda nem começou já faz a sua alma sentir-se curvada.

Endireita-se. “Não sinto a tua falta.” – pensa para si mesma – “Não posso”.

Olha-se ao espelho e sorri a si mesma. Sente o vazio do silêncio, lava a cara. Sorri, mas nada sente.

Quando veste o soutien e puxa a alça para o ombro lembra-se de como ele passava os dedos por baixo da alça e fazia o gesto inverso. E enquanto a alça descaía ela conseguia ouvir a respiração dele à medida que ele se aproximava para lhe beijar o ombro.

Solta um suspiro em modo de gemido.

Ela sente falta. Era ele. Era ele que lhe fazia falta. Todas as manhãs, todas as noites.

E olha para o telemóvel, e não pode, não pode dizer-lhe. Então diz a si mesma: “preciso de ti”. Mas ele não responde, claro que não, ela sabe disso e mesmo assim ela espera uma resposta que não chegará.

Nunca amou nenhum homem assim. Como se cada inspiração fosse a última, magoava-a demais, mas tinha de o amar. Não tinha como não o sentir. Não tinha como não o querer. Era ele quem lhe fazia falta.

E sai de casa, entra no carro, liga o rádio do carro e tenta baixar o volume do coração.

Durante o dia tenta esquecê-lo. Quando chega à noite atira tudo para o chão, despe-se, desliga o filtro, e atira-se para a cama em silêncio. Liga a música e tinha logo de ser aquela, que a faz pensar nele. Permite a si mesma sentir um pouco mais a sua falta.

A sua respiração torna-se pesada, triste. E aquele vazio avassalador arrasta-a.

Antes de adormecer recorda-se de quando ele a beijava e lhe dizia olhando nos olhos que amava.

Uma lágrima rompe o silêncio e ela sente a sua falta. Até adormecer, e já não sentir mais nada.

Até amanhã.