Cliché

write me a love poem
make my heart skip a beat
give me all the goosebumps and
butterflies in my stomach
give me all the clichés
love me by the book
I want it all
the roses, the chocolate box
your smile right after you say you love me
to the moon and back
when you hold me tight and
promise you’ll never let me go
now and forever
ever and ever
always,
be mine and
I’m yours.

Rascunhos – II

Nós estivemos lá e eu não te abracei como queria. O medo interrompeu o beijo que se aproximava. Os nossos corações sentiam-se, as batidas intercaladas, apressadas pela adrenalina, descompassadas pelo medo. Medo de dar um passo em falso, sair do conforto, descobrir a paixão…desvendar a dor. O medo que antecipa o sofrimento e adia a felicidade. Que me impede de te amar sem pressas. O medo gasta o fôlego, delapida a vida. Rouba-te pedaços da tua existência que poderás nunca vir a recuperar.

Devia ter feito frente ao medo, mas não o fiz.

Devia ter encarado a paixão, mas não o fiz.

Devia ter tomado as rédeas do desejo, mas não o fiz.

Podia ter-te abraçado como queria, mas cedi ao medo.

Olhei-te nos olhos e tu sorriste ternamente. Acho até que me envolveste com ainda mais força nos teus braços. Beijaste-me na testa e disseste “um dia casamos aqui”.

Rascunhos I

Saudade da paixão que me agarra pela alma. Aquela sensação de estar à beira de um penhasco, o frio na barriga, as borboletas sabes? Quando os olhos se cruzam e tu simplesmente sabes. Aquele momento, mesmo antes dos lábios que se tocam pela primeira vez, em que a respiração praticamente sustém e, ao mesmo tempo, o coração, bate tão forte, parece que vai sair disparado do teu peito. Tudo à tua volta continua a existir mas estás parado no tempo. Olho para os teus lábios humedecidos e eu quero. E eu sei que tu me olhas alma a dentro e roupa para fora, e eu quero. Estamos os dois à beira do precipício da paixão e a decidir, numa fração de segundos, se tudo muda. Entramos em queda livre, juntos, em rota de colisão. O momento que antecede a entrega. Aquele mesmo antes dos lábios se tocarem, em que sinto a tua respiração e a minha. É esse momento. Esse mesmo, o prelúdio do desejo arrebatador.

Chegar a ti

Estou a correr num só fôlego e não sei para onde vou. Só sei que estou a correr. Não estou a correr de nada mas sei que estou a correr para algo. Todo o ar que entra nos meus pulmões se esvai em passadas contínuas. Quero chegar mas não vejo o destino por isso continuo, sem parar. O meu coração quase que explode no meu peito. Coração que contrai e bombeia, abre válvula, fecha válvula, empurra o vermelho sangue por todo o meu corpo. Passada a passada estou a correr e só sei que é para ti. Olho em volta sem nunca abrandar, vejo a vida que passa por mim de rompante e eu que passo por ela ofegante, continuo a correr enquanto te procuro, não sei onde estou mas continuo a correr.

Para ti.

Não quero chegar tarde demais, um segundo e tu já viraste as costas, não desisto e cerro os punhos. Todo o corpo me dói mas eu preciso…

Eu preciso de chegar a ti.

Aguenta mais um pouco nesse penhasco não te deixes levar pela brisa, continua a contemplar a paisagem, não olhes para baixo, olhos em frente no horizonte, respira fundo, estou a ir. Coração na mão, de olhos molhados, as lágrimas escorrem mas eu luto. Só vou parar quando chegar a ti. Diz-me onde estás, chama o meu nome, deixa-me ouvir a tua voz. Chama por mim. Chama por mim!

Eu ouço-te e corro até ti.

Já vejo os teus olhos ao longe, brilham com a luz vermelha do pôr do sol. Estou aqui. Estou aqui! E caio em teus braços, tu seguras-me e eu agarro-te. Não me deixes… Não me deixes! Não seria capaz de fazer isto sem ti.

Não serei capaz de amar sem ti.

Ficamos imóveis um em frente ao outro, face com face, peito com peito, mão com mão, tão próximo que ouves o desacelerar do meu coração.

Há um silêncio que nos envolve, não é um silêncio de vazio, não. É um silêncio de completude. Cheguei, estou aqui. Respira. Amo-te. Abraça-me.

daisy_key

Pensava que o assunto tinha ficado arrumado mas não ficou. Ainda há páginas soltas. Cheguei a essa conclusão há pouco tempo num dos meus poucos mas emotivos “rants”. Gostava de ter a coragem de te dizer que preciso de falar contigo. São demasiadas as perguntas sem resposta. Perguntas que nunca deixei que me passassem pela cabeça mas que neste momento pairam por aqui.

Preciso de saber.

Até pode parecer tarde demais, depois do facto consumado, do leite derramado e de todo o tempo que passou, mas cada um leva o seu tempo a processar. Há que admitir que não é fácil processar uma relação fantasma, que só fez parte de uma realidade invisível e existia apenas dentro das fronteiras da nossa existência. E ainda que tenha compreendido, que tenhamos agido da maneira mais correcta (e responsável) que me tenha colocado nos teus sapatos, ao olhar para trás, agora vejo, que ficou tanto por dizer.

E a retrospectiva pode ser a pior inimiga. Quando olho para o que foi feito e para o que foi dito com outros olhos, outro coração e mais bagagem de vida, vejo agora o que a minha perspectiva não me permitiu na altura, é daí que surgem novas questões.

Será que também tiveste a mesma capacidade de te colocar nos meus sapatos? Será que sabes o quanto me marcaste e também magoaste?
Foi para ti tão leviano quanto parece? Será que foste sincero nas tuas palavras ou só precisavas de um escape?
Fui eu a tua maneira de escapar à tua dura realidade, nada mais?

Eu desde cedo antecipei o desfecho, a minha intuição tem destas coisas, mas também foi a teimosia que me fez ignora-la. Quando me disseste que não me podias ver mais eu já o sabia dentro de mim. Já sabia porquê mesmo antes de mo revelares e mesmo assim…desejei que cada palavra que me estavas a dizer fosse outra coisa qualquer que não aquilo. Acho que nunca tinha sido tão racional como fui contigo. E mesmo a sentir o rasgão que me deixaste na pele coloquei as minhas emoções de lado. Fui fria e consciente da verdade que se impunha. Filtrei tudo, a dor, a raiva, o desespero, a tristeza.

E agora, gostava de ter a coragem de te fazer todas as perguntas que te devia ter feito e que ainda quero fazer.
E não é porque quero reavivar seja o que for, magoar-te ou algo assim… é por mim. Acho que o merecia depois do que fui capaz de fazer por ti. Depois de tudo merecia a oportunidade de fechar o capitulo sem dúvidas, sem mágoas e com a verdade. Olhar-te nos olhos sem me sentir tão pequena e tão vazia como quando naquele momento em que tu me disseste adeus.

Laboratório de Sensações


Ela recorria a ele pela segurança e tesão que ele a fazia sentir. Eram apenas amigos mas de quando em vez isso tomava a forma de uma paixão inexplorada. Era tudo novo mas ao mesmo tempo confortável e conhecido e ela gostava disso. Ele também. Os dois acabavam por não admitir um ao outro – verbalmente pelo menos.Havia algo entre eles que nunca era falado mas era certamente reconhecido por ambos. Uma verdade silenciada.
Umas vezes estava cada um na sua relação, outras só ela ou só ele e poucas vezes estiveram solteiros sozinhos. Era nesse timing que aquilo que sentiam um pelo outro tinha espaço para ser e para se manifestar. 

Aquele lugar comum inexplorado e cheio de mistério. Não se sabe como nunca chegaram a sequer equacionar uma relação, no papel tinham tudo o que precisavam, paixão, cumplicidade, tesão, companheirismo, sinceridade absoluta. Mas entre eles tudo era vivido noutra dimensão e tal rótulo nunca se enquadrou na sua conjuntura. Eles tinham uma relação sim, muito própria e definida nos seus próprios termos.

Limitavam-se a apreciar-se um ao outro nos fins de tarde na praia (pele com pele), nos passeios de bicicleta estradas fora (aventuras sem fim), nos gracejos, nas provocações, nos conselhos e divagações. Na realidade parecia que apenas um com o outro eram capazes de apreciar e viver cada segundo na sua plenitude. Que peculiares eram estes dois!

Nunca se envolveram sexualmente, esse era o limiar, que nunca fora discutido mas era aceite e estabelecido.

A primeira vez que se beijaram foi um jorro de adrenalina, acho que no fundo ambos sabiam que estavam completamente agarrados aquela sensação. Era um vicio controlado, explorado de quando em quando para não se tornar banal.

E quando se abraçavam era uma descarga eléctrica incrível. 

Ela fantasiava tantas vezes com ele. Ele sabia, pois sabia, ela contava-lhe tudo. Deixava-o a salivar. Dali a dias encontravam-se para café como se nada fosse e todo o desejo ficava subjacente. Falavam sobre banalidades e trivialidades durante horas. Pontuavam as conversas com pequenos contactos, mão na mão, um carinho no cabelo, olhos nos olhos. Adoravam aquele limbo, aquele intermédio, aquele purgatório de sensações. E só funcionava entre eles os dois, aquele lugar que era só deles. Aquele ponto de interrogação que existia entre eles e que os fazia querer explorar um ao outro, um no outro, mas que ficava quase sempre sem resposta propositadamente. Sabiam-no nas entrelinhas.

Talvez seria por isso que tudo ficava por definir. Definir é dar significado, achar um sentido, é chegar a uma conclusão. O rótulo tem um caracter tão redutor e o oeso da finitude. Não. Eles queriam continuar a explorar, a experimentar, a descobrir. Aquele laboratório de sensações era onde eles melhor aprendiam sobre si mesmos. E o desfecho desta experiência ainda estava longe de se conhecer.

Amor transcendental

Não costumo ter grandes expectativas de romance na vida mas acredito n'o grande amor. Não sou daquelas pessoas que esperam um conto de fadas e que acreditam num príncipe encantado e no sapatinho cinderela. Mas também não sou céptica. Posso viver feliz numa altura em que a monogamia não é necessariamente a norma e em que o "felizes para sempre" não é um standard. Mas mesmo assim acredito n'o grande amor. Acredito porque já o vivi, já o tive.

Já senti aquele amor que te consome, tão enorme e massivo que te transcende. Aquele amor que nem conseguimos conceber que existe no nosso mundano e demasiado real planeta.

Aquele amor que te arrebata numa tempestade incontrolável e que depois se mantém numa brisa suave, quase inexistente, mas sempre presente, durante anos. O tipo de amor que inspira sinfonias, que dá palavras a poetas. Que te ensina mais do que aquilo que poderias imaginar e que, durante muito tempo depois, te continua a entregar importantes lições.

Aquele que é O Amor da Tua Vida. Aquele que se tivermos muita sorte, o encontramos em alguma parte do nosso caminho. O conhecemos, o temos, aprendemos com ele, damo-nos de corpo e alma e que permitimos que a sua mera existência nos toque e nos mude naquilo somos, na essência do nosso mais profundo "eu". 

É uma experiência como nenhuma outra na vida.

Mas o que aprendi com a vida e com esse tipo de amor foi que, apesar de o encontrares, ele poderá não ser para sempre teu. Tens o privilégio de amar mais completamente, sentir mais profundamente e aprender mais sobre ti mesmo com esse amor, mas também aprendes que terás de ter em ti a capacidade de aceitar que ele não te pertence e a força de abrir mão de um amor assim.
Nem sempre podes agarrar o amor da tua vida, porque na vida real só amar não chega. Não resolve diferenças irreparáveis, não triunfa sobre a doença ou salva-te de ti mesmo quando já foste longe demais.
Por vezes o maior e mais importante gesto de amor que poderás fazer é abrir mão dele, libertá-lo. Outras vezes a vida decide fazê-lo por ti. Mas o facto de não ficares o resto da tua vida com esse grande amor não o torna menor ou mais insignificante.

É possível amar alguém mais num ano do que numa década. Há pessoas que te ensinam mais num dia do que muitos numa vida inteira. E quem somos nós para desacreditar os amores da nossa vida? Quem somos nós para minimizar o seu impacto, apagar as suas memórias, esquecer as suas lições simplesmente porque os nossos caminhos divergiram? 
Talvez a lição maior (e mais tardia) que esse amor tem para te dar é saber agradecer.

Agradecer por nos termos cruzado, conhecido e amado. Agradecer por teres encontrado essas pessoas, agradecer pelo facto de nos terem amado tão incondicionalmente. Agradecer pelo facto da tua alma ter-se expandido pelo simples facto de os termos conhecido. Agradecer por nos conhecermos a nós mesmos ainda mais e melhor apenas e só pelo facto de termos experienciado esse tipo de amor. 

Conhecer e perder o amor da tua vida não tem de ser a tua maior tragédia, se quiseres pode ser uma das maiores bençãos. Pensando bem, muita gente poderá não ter este privilégio. E tu foste escolhido para tê-lo.

E eu também.
E é uma das minhas maiores conquistas.
Amar para lá das medidas do real, do físico, do lógico, da razão.
Amar transcendentemente.