A saudade do que não ficou

A saudade aperta-me o coração desde o nosso último beijo. E não é só do beijo que sinto saudade é de tudo o que foi dito nele. A paixão não precisa de palavras, anseia por esses silêncios em que falamos com a alma.
A saudade aperta-me o coração desde a nossa última troca de olhares. E não é pelo teu olhar que sinto saudade. É por aquilo que me dizes quando me olhas nos olhos. Enches o meu coração, aqueces a minha paixão, é um desejo ardente que tem de SER.
A saudade que tenho de ouvir a tua voz aperta-me o coração. A tua voz preenche a essência do meu ser, confirma aquilo que sinto que sentes e que sentes que sinto.
Contigo sinto-me completa. Em ti sei que é o meu lugar. Em nós descobri a certeza.
E quando me abraças forte sinto a paixão a romper-me o peito. E quando me beijas sinto o desejo a rasgar-me a pele.
E quando suspiras ao meu ouvido sinto o amor a envolver-me os sentidos. E quando vais embora resta a saudade.
A saudade do que não ficou.

Ponto de Não Retorno

Só sabemos que estamos perante “life changing moments” quando esses momentos já passaram por nós. E de repente já estamos a olhar para trás.


[Explícito]

Se há momentos raros são os momentos em que há uma pessoa que te toca de tal maneira que o sexo é “life changing” e de repente se torna um ponto de não retorno. Tu sabes que dali tens de trabalhar muito (ou ter sorte) para atingir aquele “gold standard”. E este tipo de sexo não se limita a 2 ou 3 factores. É fruto de uma conjuntura muito especial e difícil de replicar. “The perfect storm”.

Quando te beijei pela primeira vez soube que, naquele momento, estava traçado entre nós um alinhamento muito especial, que nunca até ali, até me beijares, teria sentido com mais ninguém.

E soube quando me viraste contra a parede, naquele quarto de hóspedes, quando me agarraste pela cintura, me desapertaste as calças e enfiaste a tua mão dentro das minhas cuecas, que aquela noite ficaria marcada debaixo na minha pele, como uma tatuagem de emoções, prazer, paixão. Toda a minha vida esperei por ti e não o sabia, um homem que me fizesse abdicar do controlo e me guiasse numa jornada de prazer. Finalmente podia apreciar o melhor sexo que já tive, mas ainda não o sabia.

Ainda.

Eu já estou encharcada enquanto me tiras a blusa e continuas a pressionar-me contra a parede, de costas para ti. Consigo sentir a tua tesão quando te roças em mim só para me provocar. Tiraste o cinto das calças, ainda vestidas, e envolveste a minha cintura com ele e prendeste-me a ti. Eu sorri, queria contrariar-te só por despeito, mas tu sabias e eu sabia, que ali sou tua, de qualquer maneira.

Seria a primeira vez que estávamos juntos, depois do beijo. Juntos, sozinhos, entregues um ao outro. Ainda não conhecíamos o corpo um do outro, aquilo que me faz gemer, aquilo que te faz tremer. Mas estou aqui para descobrir, para te descobrir além das palavras.

Alguma vez sentiram tanta excitação, tanta tesão que até dói? Como se a minha cona estivesse a contorcer-se a cada toque teu, desejando que me penetrasses sem dó nem piedade.

E as palavras que me sussurravas ao ouvido, faziam-me vibrar. Eu acho que todas as paredes estremeceram, até os vizinhos ficarem um pouco embaraçados pois estavam a presenciar algo transcendental e nem sabiam, ouviam com toda a certeza.

Tal como o nosso primeiro beijo, mal podia acreditar no que tinha acabado de acontecer, quando de repente me puxaste para ti e simplesmente nos completámos. Nunca tinha sentido um invasão de sensações por todo o meu corpo como quando me beijaste naquele jardim. Era completamente novo, incrível e assustador ao mesmo tempo. Fizeste questão de me fazer saber da tua tesão, conseguia sentir o teu caralho duro na minha mão por entre as calças. Acho que nunca tinha desejado tanto alguém e me sentido tão desejada.

E esse desejo concretizou-se. Quando senti a tua tesão a deslizar para dentro de mim, foi um furacão de emoções. Sexo, desejo, paixão, fogo, medo, euforia, ansiedade. Tu sempre me deixas fora de controlo, quando estava perto de ti nunca sabia como me sentia ao certo, és um misto de dor e prazer.

Fodemos, amamos, dormimos, ficamos em silêncio, trocamos palavras. Nunca soube bem o que te dizer, contigo fico num estado de transe. Tu fazes despertar um lado em mim que até ali não tinha a certeza que existia, mas agora sei que só consegue subsistir contigo, perto de ti. Em parte isso assustou-me, era o desconhecido, senti que estava a perder o controlo. Mas depois percebi que te estava a ceder o controlo e deixei-me levar por ti.

A maneira como me puxas o cabelo gentilmente quando me penetras por trás. A maneira como sabes fazer sentir-me mulher, sensual. Só quero poder retribuir-te em prazer tudo aquilo que me fazes sentir. Só quero mostrar-te que ali sou tua. Apenas tua.

Até adormecermos exaustos, num momento tão efémero. Orgasmo após orgasmo. Para mais tarde percebermos, que a partir daquela noite, não há como dar a volta.

Aquela noite foi o ponto de não retorno.

Ainda

A ti deixo-te a vontade de não esquecer.

Tu que partiste abruptamente deixo-te a vontade de lembrar e relembrar todos os momentos vividos, conseguidos e roubados. Deixo-te todas as emoções contidas em palavras ditas ou escritas.

Deixo a ti a inocência de um sentimento puro e a indecência da razão, o aroma a sal e a areia, os lençóis brancos e a janela aberta. O tempo partilhado e esgotado. Os momentos de filme que existiram num tempo suspenso.

A despedida sentida quando olhei para trás e soube que seria a ultima. As lágrimas, os sorrisos, as gargalhadas.

A ansiedade de um encontro. A tristeza da impossibilidade. Deixo aqui a tentativa para esquecer tudo isso, que me ficou marcado na carne. Que me ficaste marcado na alma. Que me ficou cicatrizado no coração. Que não cura, não fecha, não sara – a memória que não morre nunca – por mais que a sufoque.

Contradiz-me

marinaport

Não te quero,juro!
Apesar do teu sorriso iluminar mais dias que o próprio sol, não te quero juro!
Apesar de quando te olho nos olhos querer ler mais de ti do que a forma irregular das tuas cores,não te quero juro!
Ainda que o meu toque queira ser completo na tua pele, não te desejo juro!
Ainda que o teu calor abrace todos os meus poros, não te desejo, juro!
Mesmo que queira ouvir a tua voz na forma de doces palavras, não te preciso juro!
Mesmo que a tua presença em mim se faça de todas as formas, o meu último pensamento seja teu, o meu prazer noturno seja em ti, e a minha saudade tenha o teu nome, não é paixão, juro!

Quando dormimos nus

umdaqueles

Quando dormimos nus,despidos dos medos e espectativas,despidos das horas, do tempo, do timing… Quando dormimos nus, despidos da carga da vida, despidos da razão que atormenta.. Quando dormimos com as emoções a nu, e a pele nua à brisa do quarto… o sorriso é de liberdade,despido de ilusões. É presente a nu, a paixão crua, despida de antes e depois, apenas o verdadeiro agora, duas peles que se tocam,duas almas que se amam num êxtase de silêncio, dois sorrisos, quando dormimos nus.

Cartas de Papel Palavras a Tinta Preta

– Já ninguém escreve cartas de amor, tudo se perde em sms, e-mails, blogues.

Fernando Pessoa dizia que “todas as cartas de amor são ridículas” mas “só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”.

Sempre gostei de cartas. Mesmo das cartas de amor. Penso só ter recebido uma vez na vida uma bonita carta de amor, fruto da juventude tenra em que o amor era cheio de coisas mágicas.
As cartas são verdadeiras, conservam memórias físicas de quem as escreve. As marcas no papel são como as rugas na face de uma pessoa, mostram vida. Trazem-me o cheiro que só a imaginação me faria sentir. Mostram a emoção através de palavras que ganham vida em formas tão peculiares. Não há nada mais pessoal que conhecer a letra da pessoa que nos corresponde. As cartas fazem-me sentir tão perto que posso jurar que estou no mesmo lugar na mesma fracção de tempo  que a pessoa que as escreveu, quando abro uma carta. A antecipação de abrir uma carta de alguém especial é quase tão grande como quando espero por ele à chegada.

Já ninguém escreve cartas de amor, é verdade. Tudo se perde na frieza de um teclado, na incerteza do digital. As cartas ficam para sempre prova de uma intimidade esquecida. E a despedida numa carta de amor é quase tão doce como uma despedida em presença, é sentida e carinhosa na esperança de ser correspondida para que possa tornar a ver-te,  uma vez e outra, e assim guardar-te para sempre, num aroma, em palavras, numa folha de papel.
Tenho saudades de coisas tão simples e verdadeiras como as cartas.

As noites eram quentes.

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Em todos os aspectos, eram quentes.
A luz meio amarelada quase apagada envolvia-nos, cada uma no seu sofá, sentadas, deitadas, relaxadas. Eram quentes.
Olhavamos umas para as outras de copo na mão: cerveja, chá, vinho vodka… Eram quentes e sorriamos na sua inquietude. Dávamos altas gargalhadas. Conversávamos ao mesmo tempo, ficávamos em silêncio.
Eram quentes e cheias de emoção. Viviamos e apreciavamos aqueles momentos.
Aquelas noites quentes de narguilé a esfumaçar aromas de côcô, melão ou morango, ao som de Deolinda em repeat.
Eram noites bem quentes, talvez as melhores, aquelas em que nos tornamos quase um 3 em 1. Obrigada.