Não sei.

Não sei. Às vezes simplesmente sinto-me ausente, fora de mim mesma. E procuro algo que me faça sentir… Sentir qualquer coisa. Um arrepio, medo, emoção, desejo, carinho, atenção. Qualquer coisa. E ao mesmo tempo não sei. Não sei o que sinto, só que não sinto, dormente. Nem sequer um formigueiro. Nem quando estou com alguém que expressa desejo por mim e me toca ou me beija, eu deixo na esperança de sentir algo. Nada. Nem um frio pela espinha, nem um ardor de desejo, nem um resquício de paixão, nem uma gota de remorsos, nem o húmido do seu beijo. Mas que raio! O que é isto? Não percebo esta falta que sinto constante, um vazio por preencher. E tento, muitas vezes das piores maneiras, sentir nem que seja dor, mas a única coisa que sinto é falta, é vazio. Como é possível sentir totalmente nada? Não sei.

O que é Deus?

Não sou uma pessoa religiosa ou seja não sigo uma religião especifica. Não faço parte de um rebanho nem de uma congregação. Não sou afiliada com nenhum movimento que tenha um nome. Mas não quer dizer que não acredite em Deus ou não pense em Deus ou que até duvide de um Deus. Deus e religião são palavras com designação contraditória. As religiões não representam aquilo que eu acredito que seja Deus. Para mim as religiões apresentam uma visão distorcida de Deus, servem para distrair-nos do que realmente deveria ser Deus para quem acredita nele.

Na escola aprendi filosofia. Ensinaram-me que existem várias linhas de pensamento, existem várias maneiras de ver, racionalizar e experiênciar o mundo. E nenhuma das linhas de pensamento existentes é absolutamente correcta, nenhuma é a absoluta verdade ou a absoluta mentira. Nem certo, nem errado. Nem preto, nem branco. Aprendi que nem todos temos a mesma perspectiva sobre determinado assunto e que isso é normal, que pensar diferente não significa pensar errado. Que mesmo assim é possível coexistir basta compreender. Compreensão é para mim uma palavra chave daquilo que Deus significa na minha visão pessoal. Eu acredito que cada um de nós representamos Deus. Na capacidade de compreender, na capacidade de tolerar, na capacidade de amar. Amar é algo extremamente poderoso. E é isto que é transversal a todas as religiões. Tolerância. Amor. Compreensão. Tudo o resto é uma visão distorcida pela corrupção da ideologia, da politica, do ego.
A temática de Deus é algo que ainda está em processamento em mim, ainda estou a tentar descobrir o que isso realmente significa.
Mas tenho uma certeza: que nenhum representante religioso me pode convencer o que é Deus na visão deles. Para mim não existe o Deus cristão, o Deus islâmico e o Deus judaico. Para mim Deus não representa a homofobia, a intolerância entre religiões, a guerra em nome de um Deus, não, isso é a distorção do ser humano. Somos capazes de fazer o bem e fazer o mal, e tanto fazer o bem ou fazer o mal é nossa escolha e o que poderá resultar dessas escolhas é nossa responsabilidade . Deus não é o bode espiatório para o que de mal acontece. Nem o responsável pelo que de bom acontece. Somos nós mesmos.

Lembro-me perfeitamente quando abandonei completamente a noção de que para acreditar em Deus tinha que estar inscrita obrigatoriamente num clube religioso. Estava sozinha no meu quarto com a porta fechada. Sentada no chão encostada à parede a olhar para um crucifixo que tinha pendurado por cima da cama. Jesus na cruz. Fora do quarto ouvia gritos, coisas a partir, sofrimento, violência. E lembro-me de tentar rezar para me abstrair, para que aquilo acabasse, para que quando saísse do quarto não encontrasse a minha mãe estendida no chão morta. Tinha uns 15 anos. Era uma provação tremenda e ali estava eu a tentar rezar e a pedir a Deus que fizesse com que aquilo parasse! Mas não parava, não terminava. E perguntei-me ou perguntei-lhe porque raio ele me estava a fazer aquilo, porque não fazia ele parar aquela dor? E depois caí em mim. Que não era assim que funcionava. Não dependia de Deus. O que era preciso fazer? O que é que Deus poderia fazer por mim naquele momento? Nada? Na altura pensei exactamente isso. Nada. Mas agora a olhar para trás vejo que de algum modo consegui encontrar dentro de mim força e coragem suficiente para me levantar, abrir a porta e sair. Encontrei coragem para olhar para a minha mãe enquanto ela estava a ser violentada fisicamente e sair porta fora descalça até à policia e denunciar aquele abusador. Sem saber o que poderia encontrar quando chegasse a casa. Hoje quando penso nisso pergunto-me como fui eu capaz de encontrar tamanha força para me manter à tona. Acredito que essa força que existe dentro de mim para lutar, para mudar, para fazer, para aprender, para crescer é Deus. Não é graças a Deus, nem é dada por Deus, mas é a própria noção de Deus.
Muitas vezes dou por mim a observar à minha volto as coisas mais simples e ao mesmo tempo tão complexas da vida e admirar a sua existência e ao mesmo tempo questioná-la. É essa a maravilha da nossa condição humana, vivermos neste mundo com todas as coisas boas e más que existem, com todas as coisas complexas e simples, maravilhosas e horríveis, com todas as pessoas tão diferentes e tão iguais. E é estarmos conscientes de todas estas coisas, de tudo. Para mim Deus é isso, é a consciência do que nos rodeia, a compreensão do que nos rodeia, a tolerância pelo que nos rodeia, o respeito pelo que nos rodeia e o amor que temos pelo que nos rodeia.

Não é uma igreja, uma mesquita, ou um templo.
É aquilo que temos em nós, aquilo a que chamamos de alma, força interior, a nossa essência, a nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros. Todos nós temos Deus ou somos Deus mas com a consciência de que isso não nos torna superiores, super-poderosos, infinitos, absolutos. Aliás, para mim compreender a nossa essência é aquilo que nos torna humildes perante os outros, perante a natureza perante a noção de existência.

Enfim, é um tema que daria pano para mangas como se costuma dizer. Ainda estou a tentar perceber tudo o que significa Deus.

Só sei é que quando olho para as coisas maravilhosas e inexplicáveis que existem neste planeta (e não estou só a falar de cascatas e paisagens fabulosas, os desastres tudo) penso que realmente existe uma imensa força que nos move, que tudo move, uma energia infinita. Que nada se perde, tudo se transforma.
Que tudo isso até pode ser Deus.

No Entretanto

image

Existem na vida momentos que parece que tudo passa rápido demais. Mal temos oportunidade de guardar a lembrança de um cheiro, um gesto, um som. E existem outros que parece que esperamos que a vida passe por nós. Tudo acontece muito devagar ou nada acontece tão depressa. O Sol nasce e o Sol põe-se e no entretanto a vida passou por nós e nós passamos por ela.
Parece que estamos em suspenso, apanhamos fôlego e aguardamos para podermos expirar. Mas nada acontece.
Tenho o coração em suspenso entre a mágoa e a felicidade e sinto a vida em suspenso entre o acordar e o adormecer.
Sinto o momento em suspenso entre o acreditar e a desilusão.
Até as palavras estão em suspenso.
Mas isto é uma ilusão. A vida passa sempre rápido demais depende de nós o facto de a conseguirmos ver, sentir e escutar na mesma proporção. Mas neste momento parece-me que não, não consigo. É como estar num corredor que nos leva de uma sala para a outra, estou no entretanto de uma etapa da minha vida, não posso respirar de alívio por lá ter chegado nem inspirar fundo por já ter partido. Estou a conter a respiração, num momento suspenso, até deixar de ver a luz da última sala e começar a sentir a intensidade da próxima divisão. E este corredor é escuro e longo, o caminho é moroso, mas não será eterno. Chegamos sempre a algum lado.

Postado através de WordPress para Android!

Ainda

A ti deixo-te a vontade de não esquecer.

Tu que partiste abruptamente deixo-te a vontade de lembrar e relembrar todos os momentos vividos, conseguidos e roubados. Deixo-te todas as emoções contidas em palavras ditas ou escritas.

Deixo a ti a inocência de um sentimento puro e a indecência da razão, o aroma a sal e a areia, os lençóis brancos e a janela aberta. O tempo partilhado e esgotado. Os momentos de filme que existiram num tempo suspenso.

A despedida sentida quando olhei para trás e soube que seria a ultima. As lágrimas, os sorrisos, as gargalhadas.

A ansiedade de um encontro. A tristeza da impossibilidade. Deixo aqui a tentativa para esquecer tudo isso, que me ficou marcado na carne. Que me ficaste marcado na alma. Que me ficou cicatrizado no coração. Que não cura, não fecha, não sara – a memória que não morre nunca – por mais que a sufoque.

Tudo “Farinha do Mesmo Saco”

Little vintage Flour by ~rukiko-chan
Little vintage Flour by ~rukiko-chan

Coisas da vida.

A vida é assim.

É assim e prontos.

Shit happens.

That’s fucking life.

[…]

Uma enormidade de expressões usadas para fazer que se diz alguma casa. Uma imensidão de palavras que nada dizem e caem no vazio. Para mim, tudo farinha do mesmo saco. Tudo frases pseudo-profundas em que ficas a saber o mesmo  – nada.

Que se lixe.

Contradiz-me

marinaport

Não te quero,juro!
Apesar do teu sorriso iluminar mais dias que o próprio sol, não te quero juro!
Apesar de quando te olho nos olhos querer ler mais de ti do que a forma irregular das tuas cores,não te quero juro!
Ainda que o meu toque queira ser completo na tua pele, não te desejo juro!
Ainda que o teu calor abrace todos os meus poros, não te desejo, juro!
Mesmo que queira ouvir a tua voz na forma de doces palavras, não te preciso juro!
Mesmo que a tua presença em mim se faça de todas as formas, o meu último pensamento seja teu, o meu prazer noturno seja em ti, e a minha saudade tenha o teu nome, não é paixão, juro!