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Pensava que o assunto tinha ficado arrumado mas não ficou. Ainda há páginas soltas. Cheguei a essa conclusão há pouco tempo num dos meus poucos mas emotivos “rants”. Gostava de ter a coragem de te dizer que preciso de falar contigo. São demasiadas as perguntas sem resposta. Perguntas que nunca deixei que me passassem pela cabeça mas que neste momento pairam por aqui.

Preciso de saber.

Até pode parecer tarde demais, depois do facto consumado, do leite derramado e de todo o tempo que passou, mas cada um leva o seu tempo a processar. Há que admitir que não é fácil processar uma relação fantasma, que só fez parte de uma realidade invisível e existia apenas dentro das fronteiras da nossa existência. E ainda que tenha compreendido, que tenhamos agido da maneira mais correcta (e responsável) que me tenha colocado nos teus sapatos, ao olhar para trás, agora vejo, que ficou tanto por dizer.

E a retrospectiva pode ser a pior inimiga. Quando olho para o que foi feito e para o que foi dito com outros olhos, outro coração e mais bagagem de vida, vejo agora o que a minha perspectiva não me permitiu na altura, é daí que surgem novas questões.

Será que também tiveste a mesma capacidade de te colocar nos meus sapatos? Será que sabes o quanto me marcaste e também magoaste?
Foi para ti tão leviano quanto parece? Será que foste sincero nas tuas palavras ou só precisavas de um escape?
Fui eu a tua maneira de escapar à tua dura realidade, nada mais?

Eu desde cedo antecipei o desfecho, a minha intuição tem destas coisas, mas também foi a teimosia que me fez ignora-la. Quando me disseste que não me podias ver mais eu já o sabia dentro de mim. Já sabia porquê mesmo antes de mo revelares e mesmo assim…desejei que cada palavra que me estavas a dizer fosse outra coisa qualquer que não aquilo. Acho que nunca tinha sido tão racional como fui contigo. E mesmo a sentir o rasgão que me deixaste na pele coloquei as minhas emoções de lado. Fui fria e consciente da verdade que se impunha. Filtrei tudo, a dor, a raiva, o desespero, a tristeza.

E agora, gostava de ter a coragem de te fazer todas as perguntas que te devia ter feito e que ainda quero fazer.
E não é porque quero reavivar seja o que for, magoar-te ou algo assim… é por mim. Acho que o merecia depois do que fui capaz de fazer por ti. Depois de tudo merecia a oportunidade de fechar o capitulo sem dúvidas, sem mágoas e com a verdade. Olhar-te nos olhos sem me sentir tão pequena e tão vazia como quando naquele momento em que tu me disseste adeus.

O Conto – II. A Entrega

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Livro de Reclamações

Foi naquele beijo que ele soube que a sua vida mudara para sempre.

O beijo foi a sua confissão sem palavras, beijou-a como se procurasse a absolvição pelos momentos em que a cobiçou. Ela recebeu a sua confissão e entregou-lhe um mundo de desejos insólitos onde já o despira e ele já a fodera furiosamente.

O coração dele colidia com o peito dela, atemorizado, consternado e apressado pela necessidade. E sustiveram a respiração numa tentativa de suspender a vida naquele beijo. Ele enfiou-lhe a mão pelo decote dela violando-lhe a carne, ela reagindo ao gesto desautorizado dele coloca uma perna e torno da cintura dele. Fá-lo sentir, no pénis palpitante dentro das calças, o calor da sua cona encharcada.

E foi entre o tilintar da fivela do cinto dele, os ruídos de fundo de uma festa distante e o frio negro de uma noite sem lua que ele a penetrou…

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O Conto IV – “Tudo e Nada”

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Livro de Reclamações

Ela tinha um vestido de Verão amarelo, que se desabotoava pela frente. Era leve, alegre e cheirava baunilha. Quando entrou no carro estava ansiosa, não sabia o que dizer, beijou-o com saudade mas reticente. A viagem foi silenciosa, linearmente dolorosa, o tempo tem a capacidade de mover montanhas de insegurança. Quando entraram no quarto do hotel sentiu-se constrangida, ali estava ela com aquele homem com quem tinha partilhado as sombras da sua alma e ao mesmo tempo desconhecia. E sentia um constrangimento ensurdecedor. Parecia que tudo o que haviam sentido e partilhado começava a cair num nada. Um nada que lhe sugava toda a vida e a consumia de medo. Medo desse vazio que se expunha entre eles cada vez que partilhavam a paixão que sentiam. Porque ela sentia que havia tudo entre eles e sentia que nada podia fazer quanto ao futuro incerto do nada. Ela sabia que era…

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Laboratório de Sensações


Ela recorria a ele pela segurança e tesão que ele a fazia sentir. Eram apenas amigos mas de quando em vez isso tomava a forma de uma paixão inexplorada. Era tudo novo mas ao mesmo tempo confortável e conhecido e ela gostava disso. Ele também. Os dois acabavam por não admitir um ao outro – verbalmente pelo menos.Havia algo entre eles que nunca era falado mas era certamente reconhecido por ambos. Uma verdade silenciada.
Umas vezes estava cada um na sua relação, outras só ela ou só ele e poucas vezes estiveram solteiros sozinhos. Era nesse timing que aquilo que sentiam um pelo outro tinha espaço para ser e para se manifestar. 

Aquele lugar comum inexplorado e cheio de mistério. Não se sabe como nunca chegaram a sequer equacionar uma relação, no papel tinham tudo o que precisavam, paixão, cumplicidade, tesão, companheirismo, sinceridade absoluta. Mas entre eles tudo era vivido noutra dimensão e tal rótulo nunca se enquadrou na sua conjuntura. Eles tinham uma relação sim, muito própria e definida nos seus próprios termos.

Limitavam-se a apreciar-se um ao outro nos fins de tarde na praia (pele com pele), nos passeios de bicicleta estradas fora (aventuras sem fim), nos gracejos, nas provocações, nos conselhos e divagações. Na realidade parecia que apenas um com o outro eram capazes de apreciar e viver cada segundo na sua plenitude. Que peculiares eram estes dois!

Nunca se envolveram sexualmente, esse era o limiar, que nunca fora discutido mas era aceite e estabelecido.

A primeira vez que se beijaram foi um jorro de adrenalina, acho que no fundo ambos sabiam que estavam completamente agarrados aquela sensação. Era um vicio controlado, explorado de quando em quando para não se tornar banal.

E quando se abraçavam era uma descarga eléctrica incrível. 

Ela fantasiava tantas vezes com ele. Ele sabia, pois sabia, ela contava-lhe tudo. Deixava-o a salivar. Dali a dias encontravam-se para café como se nada fosse e todo o desejo ficava subjacente. Falavam sobre banalidades e trivialidades durante horas. Pontuavam as conversas com pequenos contactos, mão na mão, um carinho no cabelo, olhos nos olhos. Adoravam aquele limbo, aquele intermédio, aquele purgatório de sensações. E só funcionava entre eles os dois, aquele lugar que era só deles. Aquele ponto de interrogação que existia entre eles e que os fazia querer explorar um ao outro, um no outro, mas que ficava quase sempre sem resposta propositadamente. Sabiam-no nas entrelinhas.

Talvez seria por isso que tudo ficava por definir. Definir é dar significado, achar um sentido, é chegar a uma conclusão. O rótulo tem um caracter tão redutor e o oeso da finitude. Não. Eles queriam continuar a explorar, a experimentar, a descobrir. Aquele laboratório de sensações era onde eles melhor aprendiam sobre si mesmos. E o desfecho desta experiência ainda estava longe de se conhecer.

Sempre me debati com esta sensação de vazio que ás vezes tenho, a quem estou a tentar enganar…? Eu tenho comigo este vazio sempre, ás vezes é que me permito senti-lo. E todas as vezes me questiono sobre a sua causa. Ás vezes chego mesmo a pensar que sei mas grande parte das vezes nunca chego a nenhuma conclusão.

Será falta de alguém?

Será falta de fazer alguma coisa?

Será falta de sentir alguma coisa?

Será alguma coisa pela qual eu já passei e não cheguei a processar?

O que falta?

Ao inicio pensei que era algo que estava por acabar. Os assuntos inacabados sempre me trouxeram muita ansiedade, primeiro porque odeio quando fica algo inacabado. Corrói-me o cérebro (e o espirito). Segundo, porque sempre me assombraram. E parece que ficou tanto por acabar nesta minha curta presença na terra.
Ficaram coisas por dizer a muitas pessoas. Ficaram objectivos por atingir. E na mesma segui em frente, nunca direi sem olhar para trás, porque irei sempre olhar par trás. Mas segui em frente. Será isto que eu carrego, o peso do que ficou por fazer ou dizer? Talvez lhe chame vazio porque parece tão mais romântico, mas não é. Talvez seja é o peso do que ficou em suspenso.
E a partir daí eu penso para mim mesma quais são as razões que me levaram a seguir em frente? Quais são as justificações que eu dei a mim mesma? Quais os argumentos? Porque é que eu não me lembro… Porque volto sempre a pensar nas circunstâncias da vida? A conjuntura é que não me permitiu ou será que fui eu que não fui capaz? Serão desculpas ou simples e duros factos? Será que algum dia vou voltar a saber?… Sim…porque eu já soube algumas destas respostas, mas agora, neste momento, não sei. (Ou pensava que sabia!)

Não sei. 

Como estas duas palavras se tornaram recorrentes.
“E agora o que vais fazer?” Não sei.

“Já escolheste?” Não sei.

“Vais dizer-lhe?” Não sei.

“Vais voltar?” Não sei.

Outra vez algo que me assombra e que me irrita.

Se ouço estas palavras da boca de alguém enervo-me. Deve ser porque as ouço todos os dias dentro de mim.

E porquê? Não sei.
Uma vez alguém me disse algo que nunca esqueci e que fez todo o sentido:

“Se não decidires tu mesma, alguém irá fazê-lo por ti.”

E é verdade. Quantas das nossas escolhas são apenas a aceitação do que alguém directa ou indirectamente decidiu por nós? – isto daria panos para mangas, mas por enquanto estou noutra camisola
Umas vezes olho para mim e sinto que já conquistei tanto, sinto-me orgulhosa por tudo o que passei, bom ou mau, por tudo o que aprendi (ás vezes da pior maneira) e sinto-me grata por tudo o que tenho: fisico, mental e espiritual.
Outras vezes não tenho tanta certeza. Olho para trás, olho para a frente, olho para mim e pergunto-me o que estou a fazer agora. O que estou a fazer aqui? Qual é o meu propósito?

Será só isto? É esta a minha marca indelével? Estarei aqui apenas para ser mais um conjunto de átomos que anda e fala?

Se eu desaparecesse neste momento, será que alguém sentiria a minha falta? Eu pergunto-me isto tantas vezes. E muitas vezes sei que sim e outras vezes vezes não tenho tanta certeza.
Estas dúvidas aprofundam ainda mais este abismo que há dentro de mim.

Sinto que ninguém é capaz de me ver verdadeiramente. E estou sozinha.

Mas será que é mesmo isso que eu quero, que alguém me veja no meio do vazio, verdadeiramente, tal como sou? Não sei? Será que vêem o mesmo que eu? Será o reflexo de mim noutros olhos algo que EU realmente quero ver?

E fico no vazio, sozinha, com dúvidas, com medo.

E no vazio eu não sinto nada e não chego necessariamente a uma conclusão. Como chegaria? Estou a debater comigo mesma.

E continuo a caminhar. Um passo a seguir ao outro. Um dia de cada vez. Ás vezes dormente por escolha, outras porque simplesmente tem de ser assim.
Vou chegar a algum lado? A alguma resposta? Não sei.

Eu achava que as respostas anteriores estavam certas mas o caminho mostrou-me que não.

E, não me entendam mal, eu sei que posso ser feliz. Eu sei o que é isso. Mas…muitas vezes, não sei como, se quero, se serei capaz.