Rascunhos I

Saudade da paixão que me agarra pela alma. Aquela sensação de estar à beira de um penhasco, o frio na barriga, as borboletas sabes? Quando os olhos se cruzam e tu simplesmente sabes. Aquele momento, mesmo antes dos lábios que se tocam pela primeira vez, em que a respiração praticamente sustém e, ao mesmo tempo, o coração, bate tão forte, parece que vai sair disparado do teu peito. Tudo à tua volta continua a existir mas estás parado no tempo. Olho para os teus lábios humedecidos e eu quero. E eu sei que tu me olhas alma a dentro e roupa para fora, e eu quero. Estamos os dois à beira do precipício da paixão e a decidir, numa fração de segundos, se tudo muda. Entramos em queda livre, juntos, em rota de colisão. O momento que antecede a entrega. Aquele mesmo antes dos lábios se tocarem, em que sinto a tua respiração e a minha. É esse momento. Esse mesmo, o prelúdio do desejo arrebatador.

Sometimes I just feel an overwhelming emptiness inside and I just don’t know what to do with myself. So I just sit and stare at the void with despair in my heart and sorrow in my soul. I can’t bring myself to cry and let it all out. I just can’t move…or feel…but I’m still breathing. 

Nota mental: sobre o amor e a vida

Á medida que o tempo passa percebo que a solidão está em cada sorriso, em cada abraço, em cada confissão. Todos desejamos a epítome da felicidade: estar com alguém e ser alguém.
Todos procuramos o nosso papel a cumprir, nem tanto o final feliz, mas o propósito. Porque estamos aqui? O que somos para os outros? O que és tu para mim? Sim.
Estou eu aqui para quê senão para amar?
Amar é, para mim, a epítome da felicidade.
Ao amar cumprimos o nosso papel, deixamos a nossa marca no mundo. E não é isso que no fundo ansiamos? Não nos deixar esquecer, não sermos esquecidos. Não ser esquecida.
Se alguém me amou e eu amei alguém deixei a minha marca infinita no universo.
Amar: uma pessoa, várias pessoas. De várias maneiras, amar o mundo, a casa onde se vive, a aldeia onde se cresceu, os animais que nos acompanharam, amar a vida.
Respeitar a vida.

A solidão está em cada sorriso sim. Em cada abraço. Em cada confissão. Porque ao partilharmos o nosso mundo deixamos de estar sós. Ao convidar os outros a entrar, a ouvir as nossas histórias, a conhecer as nossas diferentes formas de rir e de chorar – deixamos de estar sós.
Se eu me partilhar deixo de estar só.
Quando amamos já não somos invisíveis.
E nossa história ficará para sempre escrita no coração de alguém.

Nota Mental

Não é fantástica a sensação de quando dás a mão a alguém enquanto te puxa para um abraço apertado e demorado e de repente percebes que, naquele momento, nada mais interessa, o tempo fica suspenso, as cores mais vivas, o coração acalma, não ouves mais nada senão a vossa respiração sincronizada?

E sentes que é tanto que nem parece real e o teu corpo contrai-se porque não queres que acabe!

Todo o infinito cabe nesse beijo que trocam, as leis da física já nem se aplicam. Toda a vossa matéria e toda a vossa essência se concentra naqueles minutos e alguns segundos que duram para sempre.

Não é fantástico?

Contigo sim.

Não tenhas medo da chuva lá fora.

Chuva Lá Fora

O mundo não acabou pois não? É só mais um passo. Pensas que caíste no abismo, mas não, na realidade afastaste-te dele. Sei que não o parece agora, mas é a verdade.

(Abraça-me)

Não sentes? Parece até que já respiras melhor. Não tenhas medo. Pensas que estás sozinha mas não estás. Estavas antes, agora não. Agora consegues ver quem está lá fora? Abre o teu coração e deixa-te sentir. Já não precisas mais erguer muralhas para te protegeres. Já estás cá fora. À chuva! Não é fantástico?
A maneira como sentes a vida a escorrer-te pela cara? Não penses que são lágrimas de tristeza, não são! São as gotas de chuva que te acordam para um outro mundo, um que existia cá fora mas tu tinhas medo de sair!
Tens frio? Eu sei… por momentos pode tirar o fôlego. Mas não temas. Eu estou aqui e tu estás aqui! Ouviste? TU. Tu estás aqui!
Saíste. Tentaste. Fizeste. Lutaste.
Não. Não baixes a cabeça, escuta-me! Ergue o teu olhar e sente! Vê e sorri!

Vive mais um pouco! Fecha o guarda-chuva e corre! Não precisas de abrigo, precisas de espaço para voar!
Sai! Escapa-te! Ama e ferve! Já podes voltar a sentir. Já podes voltar a ser!
Não tenhas medo da chuva lá fora!

Pele da minha pele

És a pele da minha pele.
Quando me abraças, o teu abraço é o meu.
E se te beijo os meus lábios são teus.
E se dizes que me amas, o teu coração acelera e o meu corpo vibra.
Quando me olhas nos olhos, a minha alma é a tua.
E o calor da minha paixão, atiça o fogo do teu desejo.
As tuas mãos são minhas, quando percorres pelos meus ombros, sentes o meu corpo a contrair, numa vontade que é só tua.
A minha respiração é ofegante, mas é o teu peito que acelera, quando te sinto, o meu corpo no teu.
Se fecho os olhos é a ti que vejo. Sei cada detalhe do teu sorriso, pois trago-o no meu.
E quando abres os olhos, vejo o meu reflexo em ti.
Tu estás em mim e eu quero ser tua.

O teu espaço no meu

As minhas mãos são as tuas e sinto-te a deslizar pela minha pele. Suavemente arrepias cada milímetro do meu corpo.
Sabes exactamente onde parar e quando continuar.
Pousas a mão no meu peito enquanto o sentes a subir e descer no ritmo do meu respirar ofegante.
Os teus lábios são os meus e sinto o calor da tua expiração no meu ombro.
Marcas a cada beijo um lugar que é só teu e continuas até que seja completamente entregue a ti.
Já não sobra espaço para mais desejo e as minhas pernas fazem-me tua quando te abraço para dentro de mim. Neste enlace inquebrável que é o teu corpo no meu corpo que é teu.
E a paixão corre enfurecida por meandros e canais do meu (teu) coração, inunda e revela possibilidades jamais imaginadas.
E tu que me olhas profundamente na alma e me reconheces em ti mesmo.
Já estive em ti mas não o sabia.
E agora sabes de certeza que te marcaste na minha essência.
Ferida rasgada com doce sabor a mel.
O momento que ficará para sempre cicatrizado no meu coração, quando percebi o quanto te poderia amar.